quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

OGÚN O PRIMOGENITO

OGÚN PRIMOGENITO DO SER HUMANOogún.primogenito da humanidade
Filho de Yemanjá ou Oduá com Oxalá. Está ligado ao mistério das
árvores, consequentemente à Oxalá. Seu "assento" está ao pé de um Igí-uyeuè
(cajazeira) no Brasil, onde um adàn, akòko ou Àràbà na Nigéria e no Daomé, e
rodeado por uma cerca de peregun. Podendo também ficar ao pé do Igí-òpé cujo
tronco simboliza a matéria individualizada dos funfun (orixás do branco,
particularmente Oxalá), que as folhas brotadas sobre os ramos ou troncos,
simbolizam descendentes e que o màrìwò é a representação mais simbólica de Ogún.
Akóro Ko l'axo - Akóro não tem roupas Màrìwò l'axo Ogún o! - Màrìwò
veste Ogún Màrìwò - Màrìwò Ogún data de tempos proto-históricos, é
pré-histórico, violento e pioneiro; suas armas são primeiro de pedra, depois o
ferro. Sua primogenitora converte-o em quase irmão gêmeo de Exú. Deus da
guerra, imagem arquetípica do soldado, Ogún é também o deus do ferro, da
metalurgia. Do ferreiro ao cirurgião, todos os que utilizam instrumentos de
ferro (e o aço por consequencia) em seu trabalho: agricultores, caçadores,
açougueiro, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores e outros que
juntaram-se ao grupo desde o início do século, mecânicos e motoristas; rendem
homenagem à Ogún. Nesse sentido ele é o arquétipo da conquista da civilização
humana, consolidada na idade do ferro. Orixá de personalidade violenta,
obstinada, constante, viril, disciplinada, quando não rígida. Na sua
estreita relação, com a natureza humana, na qual é o regente dos "caminhos" no
seu sentido de trabalho, oportunidades profissionais, e ao mesmo tempo
"guardião" da casa, é expressa em sua cantiga: Ogún á jó (Ogún dançará)
e màrìwò (fronde da palmeira, usada como sua roupa) Ogún Akòró e màrìwò Iwó
a gba 'lé bg'ònà (ele ocupará a casa e o caminho) Ogun á jó e màrìwò màá tú
yeye (fronde da palmeira cresça) Akóro pa lónìí ó Pa o jàre pa léle
pa Ogún pa o jàre Akóro - uma qualidade de Ogún Nesta cantiga se faz
referência à pa lónìí - corta hoje Pa o jàre - corte-o, por favor Léle -
completamente Nesta toada está se pedindo para Ogun abrir os caminhos.
Vai cortando, desembaraçando o caminho. Uma outra tradução, fala em matar, de
quando os orixás vinham a cavalo, na guerra, e que eles brigavam.
Historicamente, teria sido o filho mais velho de Odùduà, o fundador de
Ifé, usando o título de Oniré (Rei de Irê), por se apossar da cidade de Irê,
matando seu rei; usava uma diadema, chamada àkòró , e isso lhe valeu ser
saudado, até hoje, sob os nomes de Ogún Oniré e Ogún Aláàkòró, inclusive no
Brasil, trazidos pelos descendentes dos yorubás. Ogún é único, mas, em
Irê, diz-se que ele é composto de sete partes. Ogún méjeje lóòde Iré, frase que
faz alusão às sete aldeias , hoje desaparecidas, que existiriam em volta de Irê.
O número sete é associado à Ogún e ele ;e representado nos lugares que lhe são
consagrados, por instrumentos de ferro, em número de sete, catorze ou vinte e
um, pendurados numa haste horizontal, também de ferro: lança, espada, enxada,
torquês, facão, ponta de flecha e enxó, símbolos de suas atividades. Uma
história de Ifá, explica como o número 7 foi relacionado a Ogún e o número 9 a
Oyá. "Oyá era a companheira de Ogún antes de se tornar a mulher de
Xangô. Ela ajudava o deus dos ferreiros no seu trabalho; carregava docilmente
seus instrumentos, da casa à oficina, e aí ela manejava o fole para ativar o
fogo da forja. Um dia, Ogún ofereceu à Oyá uma vara de ferro, semelhante a uma
de sua propriedade, e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em
nove as mulheres que por ela fossem tocados no decorrer de uma briga.
Xangô gostava de vir sentar-se à forja a fim de apreciar Ogún bater o
ferro e, frequentemente, lançava olhares a Oyá; esta, por seu lado, também o
olhava furtivamente. Xangô era muito elegante, seus cabelos eram trançados e
usava brincos, colares e pulseiras. Sua imponência e seu poder impressionaram
Oyá. Aconteceu, então, o q