sábado, 14 de junho de 2014

Ewe - Makasà


Nome Yorubá: Makasà
Nome Popular: Macassá, Catinga de Mulata.
Nome Cientifico: Aeollanthus suaveolens Mart


É uma erva de origem africana introduzida na cultura brasileira durante o processo de colonização.

É uma folha feminina, de èrò (apaziguamento), ligada ao elemento água. Utilizada em Omièrò (banho de folhas apaziguadoras), àgbo ìgbèrè (banhos compostos por diversos elementos de origem vegetal, animal e mineral, utilizado em iniciações) de iniciados dos Òrìsà Yèmoja e Òsún.


Em òògùn (medicinas) curativas e mágicas, é usado no combate à febre, dor de cabeça, início de derrame, sendo a folha a parte mais utilizada como chá e sumo. 


O Macassá,conhecida também como "cheiro do mundo",é uma folha que deve ser macerada com outras folhas cheirosas,é uma folha que jamais deve ser queimada.


Esta folha entra na junção de folhas para lavas os ojús e os búzios.

Ewe - Ewéré


Nome Yorubá: Ewéré
Nome Popular: Alecrim
Nome Cientifico: Rosmaninus officinalis


De origem Mediterrânea , foi introduzida há muito anos nas Américas, hoje encontrada em todo o território nacional.

É uma folha masculina, de èrò (apaziguamento), ligada ao elemento ar. Utilizada em Omièrò (banho de folhas apaziguadoras), àgbo ìgbèrè (banhos compostos por diversos elementos de origem vegetal, animal e mineral, utilizado em iniciações) de iniciados dos Òrìsà Òsóòsì e Obàtálá. 

Em òògùn (medicinas) curativas e mágicas, é ótimo como cardiotônico, estimulante, anti-reumático, resolve rapidamente dores de estômago e asias, restitui a energia dos cansados e estressados por muito esforço mental. Também é bom para tosses, bronquites, e problemas respiratórios.

Usado externamente é bom para limpar feridas, principalmente de diabéticos e pessoas que tem dificuldades de cicatrização. Os cardíacos podem usá-lo acompanhado de Sete Sangrias e Dente de Leão.

 O Alecrim , sob o domínio do Sol , é uma planta que ama o calor e a vida. Ele aquece e estimula o cérebro e o corpo.

Na culinária pode ser utilizado como tempero para carnes, peixes, massas e saladas.
Itan - Xangô e o culto aos Egungun.
África O criador de culto dos ancestrais Segundo a tradição do culto de Egungun, que é originário da África, região de Oyò. O culto de Egungun, é exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto tendo como auxiliares os Ojés. Todo integrante do culto de Egungun é chamado de Mariwó. Xangô (Sòngó), é o fundador do culto aos Egungun, somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itan: "Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iyami-Ajé fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iyami ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Iyami-Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiyni filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilà, que lhe disse que Iyami é que havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilà lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Ikù (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilà. Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Egungun, e se tornando extremamente proibida a participação de mulheres neste culto, provocando a ira de Olorun, Xangô, Ikú e os próprios Egungun, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais as Iyami".
Àtúnwa - A vida nunca acaba.

Não há que se temer a morte, pois esta não existe, a vida não termina com a morte, o que acontece é que vamos sofrer uma transmutação, o processo divino da existência única é chamado de àtúnwa, a continuidade da vida.
No momento do nascimento da vida humana Olodumare cria para o ser humano um conjunto de forças sagradas que vai possibilitar a vida.

cria o Emi: o sopro divino de vida.
cria a Ori: a individualidade e a identidade que vai diferenciar cada ser humano.
cria o Ara: o corpo físico vindo da lama.
cria o Ese: elementos do organismo humano.
cria o Okan: coração físico e o coração espiritual
cria o Ojiji: essência espiritual.
cria o Odu: o destino e o caminho a ser percorrido.
cria o Asé: força mágica propulsora da vida.
cria o Orisá: guardião da existência humana.


Tudo que nos foi ofertado por Olodumare para que se formasse a nossa existência são aspectos imortais, pois ao se separarem do corpo físico retornam ao orun, pois estão contidas pelo principio da criação de Olorun
São exatamente estas forças que vão movimentar a ancestralidade e formar a raiz mãe do asé orisá.

No culto de orisá, os ancestres significam: Aqueles que um dia possuíram a energia de vida, que vão passar de geração para geração garantindo assim a continuidade da vida e do culto a orisa, razão pela qual nada pode ser feito sem a consulta a ancestralidade, sendo ela a parte fundamental de nossas vidas atuais.

Muito dos problemas e aspectos existentes na vida humana esta relacionado a ancestralidade, aos nossos ancestrais familiares, razão pela qual devem ser sempre cultuados dentro do maior respeito e carinho, para que possamos sempre ter os nossos caminhos livres.

A ancestralidade esta presente não só na cultura Africana, mas também em outras, por todos os motivos explicados afirmamos que existe é a penas a mutação do corpo físico que ira se decompor, mas a nossa essência ira continuar pela eternidade, como já disse passando de geração pra geração.
Oyá Ijebé - O vento frio.

Oyá Ijebé ou Oyá Gambele, é um caminho antigo e raro de Iyansan, ligada a Oxalá, Nanã e Omolú.
Representa o vento frio do marasmo, é uma das mais velhas dos caminhos de Oyá se não é a mais velha, só aparece nas horas de necessidade, não costuma vir por nada. Senhora velha de caráter inquieto, muito implicante e ranzinza. Aprecia o Abará e o Ekuru. Veste branco com detalhes em azul claro. Suas contas são marrons fechadas com azul claro. É cultuada no alto das montanhas onde corre os ventos mais frios e nos penhascos. Traz nas mãos o Eruxin e a espada.
Odé Inkúnlè - O caçador das montanhas.




Caminho de Òsóòsí, ligado a Sàngó é um Odé representado pelas montanhas. Velho, nesta fase Odé vive no palácio de seu Pai Okê. Sua veste é verde com dourado e suas contas são verdes. Traz duas capangas, o tradicional ofá e o erukerê. Gosta de ser cultuado no platô das serras.Se irrita com facilidade, quando as coisas não vão como ele quer
Òtín - O orixá da casa de João de Barro.


Muito se tenta explicar sobre Òtín, mas a divergência de informações fazem com que nunca chegamos a informações concretas. Então fazemos como aprendemos em nosso axé, afinal TRADIÇÃO é o que pregamos. 

Vou definir Òtín como homem e como mulher:





Odé Òtín -

Ligado aos crocodilos, é um jovem caçador, veste azul bem claro com prata e branco. Tem uma forte afinidade com Osaniyn e Ògún. Desbravador das florestas, vive isolado percorrendo as matas, luta contra a caça ilegal e para fins não alimentícios. Òtín traz uma lança prateada e o Irukerê nas mãos. E pode se tornar agressivo quando insultado.
Òtín era um rapaz cheio de segredos. Misterioso e arredio, vivia escondido, não tinha amigos, nem amores.













Odé Òtín -

Grande caçadora, muito poderosa, tem forte ligação com a Magia (Ìyámi) e Òsanyìn, para muitos é esposa de Ode Òsóòsì. Ligada aos búfalos é protetora das caçadoras. Cultuada para trazer prosperidade e coragem. Veste azul claro com branco e prata, usa um adê prateado com filá de búzios. Traz o irukerê e uma lança prateada nas mãos. Seu alimento preferido é o porco.












Nesta foto temos Òtín e Òsóòsí caçando, Òtín em sua versão feminina, tal como descrevemos ateriormente. 

Fava Sagrada - Aridan


Nome Yorubá: Áridon
Nome Popular: Aridan.
Nome Cientifico: Tetrapleura tetraptera (Schum & Thur.)Taub., Leguminosae.

De origem Africana, no caso da Aridan não usamos as folhas e sim as sementes.

Aridan é Gún (excitação), árvore masculina e de elemento Fogo.

A fava de Aridan (Tetrapleura tetraptera) combinado com outras plantas psicoativas, como a Noz-Moscada, (Myristica fragrans), Dandá da Costa (Cyperus sp) Orogbo (Garcinia kola), Obi (Cola acuminata), reduzidas a pó é usado afastar maus fluidos, atrair forças benfeitoras.

É utilizada no banho iniciático de todos os orixás. E nos assentamentos de orixá.

Essa fava com aspecto inofensivo, tem poder de resguardas contra qualquer tipo de energia maligna ou diversas que tenha por objetivo prejudicar a casa e as pessoas que zelam pelo objetos sagrados. Com vasto emprego no ritual tanto iyoruba, quando no Candomblé brasileiro pode ser utilizado em trabalhos benéficos para combater bruxarias praticadas pelas energias de Iyami e para livrar as pessoas que estejam sob efeito de magia malévola das mesmas entidades.
Igi Ose - Baobá

A arvore Ose (Baobá) É também sua Representação e seu Arbusto de Culto, pois a Grandiosidade do Baobá  sua Altura, sua magnitude, a idade de até 6000 Anos que pode Viver, sua solidez faz dela a Árvore escolhida por Oloke para seu Culto.

No Brasil , o Baobá, foi substituído pela castanheira do Pará, substituição feita pelo povo jeje-nagô que aqui chegaram, todavia, depois de alguns anos, o Baobá conseguiu se estabelecer em Solo Brasileiro logo pelo fato de a Castanha do Pará ser titulada como a substituta, hoje ambas são consideradas sagradas.

Na Africa, é dedicado a todos os Orixás, sendo que as folhas são utilizadas na iniciação e para proteção dos iniciados, dai conhecido como Igbéèlùjù (Cita Verger).

Em algumas regiões, costuma-se sepultar os cadáveres embalsamados de ancestrais (Artistas, músicos e poetas) no interior dos troncos, onde transformam-se, segundo a crença local, em Múmias.

No Brasil, a Castanheira do Pará, classificada como Bertholletia Nobillis Miers, ocorre especialmente entre norte e nordeste do pais, estando sob o ritual de Osala e Sango, sendo muito comum encontrar oferendas para estes na copa da Arvore, também é enfeitado com grandes laços de Tecido distinguindo-o como sagrada. 




Baobá Africano: Adansonia Digitata L., 
Família: Bombacaceae
Nomes Populares: Baobá, Arvore de mil anos, Bondo, Imbondeiro, Adansônia, Calabaceira.

No Rio de Janeiro encontramos no Jardim Botânico, na Lagoa Rodrigo de Freitas e no Campo de Santana.


Baobá Brasileiro: Bertholletia Excelsa H.B.K. 
Sinonímia: Bertholletia Nobillis Miers
Família Lecythidaceae
Nomes Populares: Castanheira do Pará, Castanha do Pará, Castanha do Brasil
Obatalá - Oxaguiã


Oxaguiã é um orixá guerreiro. Sua maior luta é pela perfeição: de si mesmo, dos outros e das coisas. Odeia a preguiça, que ele considera o inimigo número um da perfeição. Da união de Oxaguiã com Iyemanjá, nasceu Ogum, orixá guerreiro como o pai. Ogum guerreia para destruir o que precisa ser renovado, enquanto Oxaguiã luta para construir o que foi destruído. Neste vai e vem de batalhas, Oxaguiã foi um dia à cidade de Ogum para buscar munição e encontrou o povo em festa. A comemoração era pelo término da construção do novo palácio do rei Ogum. Tudo parecia perfeito. Não para Oxaguiã! Ele bateu sua poderosa espada no palácio, que ruiu imediatamente. O povo ficou irado! “Tanto trabalho jogado fora, por um capricho de Oxaguiã”.
O pai de Ogum então falou: “O rei de vocês está em guerra e não voltará tão cedo. Por que entregar este palácio para ele, quando um muito melhor pode ser construído?”. Passado um tempo, Oxaguiã retornou à cidade e encontrou o palácio reconstruído. Entretanto, tudo se repetiu: O pai de Ogum destruiu o novo palácio e ordenou que o povo construísse outro, ainda mais perfeito.
Aconteceu que o dia da volta de Ogum se aproximava, só restando para Oxaguiã contentar-se com o último palácio construído, que para todos estava mais do que perfeito. De tanto reconstruírem o palácio, os moradores daquela cidade passaram a ser conhecidos como “os construtores quase perfeitos”. O povo não gostou daquele “quase” e ousou reclamar com a divindade. Oxaguiã disse: “A perfeição é como uma donzela arisca, ela se compraz em ser buscada, mas nunca permite ser encontrada e muito menos ser cultuada”.
Esse itan (estória narrada de geração para geração) fala sobre a importância da busca pela perfeição. Outro dia ouvi o seguinte comunicado: “Não basta fazer, é preciso fazer com amor”. Eu completo esse lindo comunicado, dizendo: Não basta fazer, é preciso fazer com amor, mas fazer bem feito. E ninguém faz nada bem feito se não tiver tempo. Se a preguiça é o inimigo número um da perfeição, a falta de eficiência para lidar com o tempo é o número dois. É por isso que se diz: “Quem tem tempo faz a colher e borda o cabo”.
Quem tem tempo faz arte. E a arte é uma das importantes formas de aproximação com o sagrado. Não é preciso ser artista para se fazer arte, é preciso apenas se tentar fazer as coisas da melhor maneira possível. Tanto nas coisas mais simples, como nas mais complexas; tanto nos assuntos sociais, quanto nos assuntos religiosos.
Lavar os pratos e estar atento para não deixar na pia nem um grão de arroz, de modo que a harmonia e pureza externas ajudem a harmonizar o interior de quem penetre naquele recinto, é arte. Quem me ouve ou lê o que escrevo está acostumado a ouvir a frase “estou sempre correndo atrás da perfeição”. Acontece que quanto mais eu corro atrás da perfeição, mais parece que a perfeição corre de mim. É como um gostoso jogo de “picula”, onde não tem vencido nem vencedor. E a graça consiste exatamente nisso: tentar, incansavelmente, domar essa virgem rebelde. Sim, acredito ser realmente virgem, a perfeição.
Não conheci ninguém que conseguiu casar-se com ela, apesar de não lhe faltar pretendentes. Entretanto, todos nós gostamos de crer que existem pessoas perfeitas. Gostamos de criar ídolos. Um grande risco, tanto para quem idolatra, quanto para quem é idolatrado. Parece que precisamos de ídolos para seguirmos, como se a “perfeição” (ou o axé) do outro pudesse ser por nós absorvida.
O caminho para a perfeição não é reto, ele é cheio de saliências e reentrâncias. É um caminho individual, como individual é o encontro que cada um tem com sua própria forma de construir e reconstruir seus palácios, sejam eles de areia ou de cristal.  A perfeição, como o próprio nome indica, é um movimento em direção a: alguma coisa, algum lugar, alguém… Aperfeiçoar-se é simplesmente manter-se em movimento; é buscar sempre o que lhe parece faltar a cada dia, a cada momento. E é Oxaguiã o orixá que nos auxilia a manter acesa essa chama. É Oxaguiã o orixá que estimula o progresso.
Igí -Ìyeye ou Okinkan




Nomes populares: Cajazeira, Cajá-Mirim, Cajá miúdo, Cajá mimoso, cajá amarelo, Taperebá, Cajazeiro, Cajá do Sertão.

Nome cientifico: Spondias Lutea L., Sinonímia: Spondias Monbin L.,Spondias Aurantica Schum, et Tronn., Spondias Brasiliensi MArt., Spondias Axillaris Roxb., Spondias graveolens Macf, Spondias Lucida Salisb., Spondias Myrobalanus L., Spondias Dubia Rich.

Outros nomes em África: Èkikà, Òkikà, Ìyeyè, Olósan,Iléwò Olósán.

Na África, a identificação cientifica do Cajazeiro se dá como Spondias Monbin L.

Sua origem é da África qual se aclimatou com louvor no Brasil, mas especificamente no Norte e Nordeste do Pais.

Utilizada em àgbo ìgbèrè (banhos compostos por diversos elementos de origem vegetal, animal e mineral, utilizado em iniciações) dos iniciados de Ògún.

Árvore de força, local de morada de Ogún e de diversos voduns, é considerada um importante àtinsá vodun, chamada pelos Jeje akikon’tin. Aos seus pés são reverenciados os voduns Gun, Fá e Azanadò (Bessén).

O cajazeiro é um atin dedicado ao culto de Fá, é cultuada pelo bokonon (aquele que é sacerdote de Fá), onde são depositados seus fetiches e oferendas rituais e seus sacrifícios são feitos, geralmente com cabritos e frangos; também é oferecido vi, ami-vovo, sodabi, etc.O nome Akinkon'tin é Fongbe; os nagôs e iorubás chamam esta árvore de Igi Eyè (Árvore do Pássaro) por causa do Ifá (Fá), cujo símbolo é o pássaro, ou chamam de Iyéyé (mamãe) devido a utilização de suas folhas pelas parturientes; eles também conhecem esta árvore como Okika. Em Benin as cerimônias e festividades anuais de Fá são realizadas em torno deste atin, onde são reverenciadas outras divindades como os Azètɔ́, cuja grande ira deve ser aplacada, Legba, Gun, e outros relacionados. Os preceitos do Fá são voltados a atrair coisas boas, livrando-se das más, e dos maus espíritos. O espírito “mau” aqui em referência é o desencarnado popularmente denominado “Ahovi”.

Seu fruto é interdito dos filhos de Ògún e Òsóòsì.

Segundo uma lenda, essa foi uma das árvores escolhidas pelas Iyá Mí Eleyé para pousarem e descansarem. Ali elas decidiram que concederiam felicidade ou infelicidade, conforme fosse o desejo de cada um. Suas folhas têm o poder de afastar as coisas ruins e atrair a sorte.

Em òògùn (medicinas) curativas e mágicas, pode ser usada no combate a Cistite, uretrite, Ulcerações do aparelho genial feminino, e do colo do útero. Palpitações, dor no estomago, constipação do ventre, complicações do parto, febres palustres e biliosas, blenorragia, diarreia, hemorroidas  enfermidades dos olhos e da laringe.


Orin Ewe:

E Ogun mo lo mo

Irè Ogun mo mo

Ewé òkiká kiki

Ogun mo lo mo

Irè Ogun mo

Òkiká kiki

Ogun mo lo mo

Ogum é o orixá que voce conhece

Ogum, rei de Irê, que voce conhece

A folha de cajazeira nos comprimenta

Ogum a reconhece

Aquela que é reconhecida por Ogun de Irê

Okiká nos cumprimenta

Ogum que você conhece
Airá - Os ventos de Savé.

Airá é um Deus relacionado a família do raio mas também é relacionado ao vento, seu nome pode ser traduzido como Redemoinho, vale lembrar que o redemoinho é o fenômeno que mais se assemelha a um furacão em território Africano. Airá então deve ser louvado como a divindade que rege o encontro dos ventos.

Seu culto é proveniente da região de Savé e Savalu que faz parte do território Jejê.

Mais seu culto não foi reconhecido em suas terras, mais tarde Xangô Sr, Rei de Oyo grande conquistador de terras ofereceu reconhecimento de seu culto em troca ele daria a chave do conhecimento do segredo de Savé, mas Xangô queria que ele fosse seu criado o mesmo não quis ser submisso a xangô, dai veio a sua iria porte sido enganado, Xangô procurou um adivinho (Ifá), o mesmo disse que ele teria que trazer o grande senhor funfun (Oxalá) só ele poderia acalma-lo, e assim foi feito. Airá não poderia mais voltar para sua terra natal, por ter traído todos da sua cidade revelando o segredo(o culto a nanã, a origem da criação humana) de Savé para os Iorubás, onde hoje o culto a nanã é mais forte nas terras Iorubá. Oxalá levou para suas terras e se fundiu seu culto.

Por esse atrito com Xangô, não se deve coloca-los juntos, nem podendo Airá ser posto em cima do pilão de duas bocas já que o pilão de duas bocas pertence a Xangô o que acarretaria a sua ira.

Airá não usa coroa, mas um eketé branco ou de palha da costa com búzios e guizos.

Ao contrário de Xangô, Airá não é o Orixá rei nem possui o carácter punitivo e colérico. Esta característica mais amena de Airá, pode ser evidenciada em uma de suas cantigas que diz:

"A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho, como um tambor".

O culto de Airá foi instalado no Brasil na Barroquinha, Pela Iya Akala, Sacerdotisa, Da Época de Iya Adeta, Cujo o templo foi dedicado a ele, Airá Intile.

Com festas e Casa Separadas, o culto dos Orixás ioruba nação Ketú se estabeleceu em cima do culto a Xango, pela presença das primeiras sacerdotisas fu
ndadoras e organizadoras das primeiras comunidades, daí Airá ser cultuado na Família de Xangô.

Sàngó Kan! Aiyrá Kan!
Xangô é único! Airá é Único!




Cosmogonia Iorubá
Este escrito, assim como alguns que se seguirão a ele, visa levar ao conhecimento dos leitores o “corpo religioso” em que se fundamenta o candomblé: sua cosmogonia, dogmas, liturgia e rituais. O artigo de hoje fala sobre cosmogonia, que é a explicação que as religiões, culturas e até mesmo a ciência – teoria do “Big Bang” – dão para esclarecer a origem do universo. A intenção é diminuir os conceitos preconcebidos de maneira errada que alguns têm sobre essa religião iniciatória. Ela é misteriosa, sim! Não porque a base em que se sustenta não possa ser transmitida, mas pelo fato de seus adeptos serem iniciados e por isto mesmo vivenciarem uma experiência com o sagrado que é individual, portanto, difícil, ou melhor, impossível de ser transmitida. Aqui será relatada uma parte da cosmogonia do candomblé, que conta a seguinte história mítica para demonstrar como a Terra foi criada:
“No Orum, Oduduwa unida a Oxalá formavam um só orixá – Obatalá –, símbolo do casal mítico primordial, propulsor da ‘Criação’, existente nas cosmogonias de diferentes culturas. No princípio de tudo, quando não havia separação entre o que está em cima e o que está embaixo, Oxalá e Oduduwa viviam juntos dentro da Cabaça-da-Existência. Eles viviam muito apertados naquele local, tendo que dormir um em cima do outro. O que determinava quem dormiria por cima ou por baixo eram os sete anéis que eles possuíam. Oxalá sempre conseguia colocar quatro anéis e por isto tinha o privilégio de ficar por cima. Oduduwa se conformou com aquela situação por muito tempo, mas um dia ela disse que usaria os quatro anéis. Oxalá não aceitou e a luta entre o casal/irmão foi tão grande que a ‘Cabaça’ se rompeu em duas metades, ficando Oxalá na parte superior e Oduduwa na parte inferior. Estava rompida a união do casal primordial. O Orum (Céu) já não podia mais ser a ‘residência’ dos dois orixás. Outro local precisava ser criado. Olorum resolveu, assim, criar o Aiye (Terra).
O oráculo de Ifá foi consultado e determinou que a missão de criar a Terra deveria ser realizada por Oxalá. Para que a missão tivesse êxito, Exu precisaria receber sua oferenda. A divindade suprema, Olorum, entregou a Oxalá a Cabaça-da-Existência, contendo nela o germe de tudo que há no mundo. Devido à grande ansiedade de realizar a tarefa, Oxalá se esqueceu de dar oferenda a Exu. Assim, Ele não pôde contar com o apoio do orixá símbolo da existência diferenciada, o princípio dinâmico de propulsão, mobilização, transformação e crescimento que conduz à criação. Oxalá se esqueceu da importância de Exu Yangí, a primeira matéria criada, formada de água e terra; a primeira matéria que daria forma a todas as outras subsequentes, inclusive daria forma à humanidade.
“A ansiedade de Oxalá lhe causou grandes problemas. Olorum tinha dito a Oxalá que durante sua missão ele estava proibido de ingerir vinho-de-palma: bebida que possui alto teor alcoólico. Aconteceu que a ansiedade sentida por Oxalá fez com que sua necessidade de beber água aumentasse. Em pouco tempo de viagem, todo o suprimento de água que Oxalá tinha levado foi logo consumido. Sentindo uma sede insuportável, Oxalá se viu forçado a ingerir a seiva do tronco do dendezeiro que Exu, cumprindo sua tarefa de fazer com que não fossem negligenciadas as ordens de Ifá, tinha colocado em seu caminho. Oxalá tomou uma bebedeira e caiu no sono. Sua esposa/irmã, Oduduwa, ao vê-lo naquele sono profundo, recolheu a Cabaça-da-Existência e foi devolvê-la a Olorum, que a passou, então, para Oduduwa – contraparte feminina de Oxalá – a importante missão de criar a Terra.”
A história mítica acima descrita é muito maior e mais profunda. Nela os adeptos do candomblé encontram importantes lições que os ajudam a compreender o mundo. Uma delas é o fato de que todas as tarefas precisam ser executadas com concentração, sem ansiedade, e com a cabeça livre de qualquer substância entorpecente, inclusive pensamentos que adormecem a mente. Outra lição é que fazer oferendas, dar presentes, é um ato mágico que ajuda na obtenção de simpatizantes para nossas causas.

Àtúnwa - A vida nunca acaba.

Não há que se temer a morte, pois esta não existe, a vida não termina com a morte, o que acontece é que vamos sofrer uma transmutação, o processo divino da existência única é chamado de àtúnwa, a continuidade da vida.
No momento do nascimento da vida humana Olodumare cria para o ser humano um conjunto de forças sagradas que vai possibilitar a vida.

cria o Emi: o sopro divino de vida.
cria a Ori: a individualidade e a identidade que vai diferenciar cada ser humano.
cria o Ara: o corpo físico vindo da lama.
cria o Ese: elementos do organismo humano.
cria o Okan: coração físico e o coração espiritual
cria o Ojiji: essência espiritual.
cria o Odu: o destino e o caminho a ser percorrido.
cria o Asé: força mágica propulsora da vida.
cria o Orisá: guardião da existência humana.


Tudo que nos foi ofertado por Olodumare para que se formasse a nossa existência são aspectos imortais, pois ao se separarem do corpo físico retornam ao orun, pois estão contidas pelo principio da criação de Olorun
São exatamente estas forças que vão movimentar a ancestralidade e formar a raiz mãe do asé orisá.

No culto de orisá, os ancestres significam: Aqueles que um dia possuíram a energia de vida, que vão passar de geração para geração garantindo assim a continuidade da vida e do culto a orisa, razão pela qual nada pode ser feito sem a consulta a ancestralidade, sendo ela a parte fundamental de nossas vidas atuais.

Muito dos problemas e aspectos existentes na vida humana esta relacionado a ancestralidade, aos nossos ancestrais familiares, razão pela qual devem ser sempre cultuados dentro do maior respeito e carinho, para que possamos sempre ter os nossos caminhos livres.

A ancestralidade esta presente não só na cultura Africana, mas também em outras, por todos os motivos explicados afirmamos que existe é a penas a mutação do corpo físico que ira se decompor, mas a nossa essência ira continuar pela eternidade, como já disse passando de geração pra geração.
Òpara - A filha de Obá
Transcorre um culto nos arredores da cidade, é eleko. Uma sociedade restrita, onde apenas mulheres realizam o culto. Possui como matriarca a temida Obá, a fundadora desta sociedade que cultua a ancestralidade feminina individual.


Nem um homem poderia sequer assistir o ritual do segredo, sendo punido por Obá com sua própria vida.

Certo dia, em uma das noites de culto, Xangô caminhava alegremente e dançava ao som do batá. Quando percebe, ao longe um aglomerado de mulheres realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá.
Xangô era muito curioso e não se conteve, aproximando-se da cena, ficando a espreita.
Xangô encantou-se com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem, era a mais bela mulher que ele já vira.
Num momento de distração, Xangô foi percebido e cercado pelas mulheres. Foi levado à presença da grande deusa, que lhe falou o preço que haveria de pagar por sua audácia em violar o culto sagrado de Elekó. Mas a própria Obá que encantou-se com a inigualável beleza de Xangõ, apaixonando-se de imediato, relutou em aplicar a sentença de morte e usou de sua supremacia no culto para ditar nova regras, dando nova chance a Xangô:
"Todo homem que violar o culto, se for do agrado da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte"
Xangô não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado.
A cerimônia de união de Xangô e Obá foi realizada dentro dos limites de Elekó. Foi o inicio de uma grande paixão. Nunca se viu tanto amor.
A deusa guerreira e justiceira, que pune os homens que maltratam as mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem, além do ódio. Descobriu todo o amor que um homem pode dar.
A grande rainha de Elekó, a rainha de Xangô aprendeu a amar e ser amada.
Nasce, dessa grande paixão, uma criança. Uma menina. Nasce Opará, a mais bela justiceira e feroz guerreira. Herdou o melhor do pai e da mãe, e prosseguiu com o culto.
Opará, também chamada de Apará, assim como todas as Iyagbás, também é uma divindade das águas. É confundida como uma qualidade de Oxum devido a similaridade dos cultos, mas na realidade se trata de uma divindade a parte.
Opará nasce da união de Xangô com Obá e é uma divindade muito perigosa.
A maternidade que é umas das marcas de Oxum não existe em Opará.

Era Oxum quem se encarregava de cuidar da prole do Deus das Tempestades, enquanto ele guerreava.
No caso de Opará ocorreu o mesmo, ela foi criada por Oxum, já que Obá, assim como Oyá, acompanhava Xangô em suas contendas.
Opará herda o temperamento e a agressividade natural de Obá e a malícia e a vaidade de Oxum, tornando-se assim, a mais quente e agressiva de todas as Iyagbás, superando até mesmo a própria mãe.
Opará é uma divindade feminina equivalente a Exú. É uma Deusa da Guerra, indomável. Uma poderosa amazona que une força e vaidade. Rege os ventos da noite, a umidade do ar e as águas puras que se intercalam entre abundância e escassez absoluta. Seu fundamento maior é quando o Raio (Xangô) toca as Águas (Obá).
Opará é impiedosa, arrogante e de carácter punitivo, mas apesar das desavenças entre Oxum e Obá, é muito próxima de Obá, bem como de Oxum, de quem recebeu o Espelho de Ikú ( uma espécie de espelho encantado que traz a morte para quem o olhar).
Asim como os pais, Opará possui forte ligação com a morte e, assim como Oxum, possui ligação com as Eleyés.

Yanle (banquete) de Òpara ou Iya Akparo:

Obuko Oda (cabrito novo castrado), 3 Aparo (codornas), Etu (D'angola), Adiyé (franga nova), Eja (peixe), Eiyele (pombo caseiro), Pepeye-nla (gansos), Okinre (faisão), Tulutulu (peru), Akara, Oyin, Eko, Ewe-tuntun (Alface), Obi abata, Shekete (cerveja), Epo em quantidade.
Tabu: Óleo de Adin, Ila (baba do quiabo), Água parada ou represada, Coroa com Iboju (franja) que tapam os olhos.
Iya Òpara sempre dá uma parte do sacrifico para Eshù e Yemonja, isso quando houver
sacrifício.
Candomblé Antigo x Candomblé Séc. 21

Esses dias comecei a reparar na visão das pessoas que eu conhecia sobre Logun Edé e a postura dos iniciados de Logun Edé que eu conhecia, e muito me espantou sobre a verdadeira essência de Logun edé e o Logun Edé dos tempos de hoje. 
Se formos analisar em uma breve retrospectiva teológica, quem seria Logun Edé?

Divindade MASCULINA, o grande Feiticeiro de Ede, filho e mensageiro de Òsun, ligado a Ìyámi, é cultuado para trazer força, sabedoria e dinheiro. Dá aos seus iniciados e devotos o poder do “encantamento”.


Existem templos para Logun Ede em Ilesa (Osun - Nigéria), seu lugar de origem, onde em alguns itans é citado como um corajoso e poderoso caçador, que tamanha coragem é relacionada a de um leopardo. Casado com três esposas. De culto diferenciado e totalmente ligado ao culto a Òsun, é um Orisa de extremo bom gosto. Seus objetos devem permanecem junto aos assentos de Osun e sempre quando agradado devemos agradar sua mãe. Tem predileção ao dourado, é um Orisa muito vaidoso, é considerado o mais elegante de todos os Orisas. Herdou o dom da caça pois Erinlé é da família dos Ode e seu símbolo é o ofá, a lança de caça e o ogue. Erinlé é a representação do desenvolvimento do homem, conhece os segredos da caça, também símbolo de prosperidade e formação de comunidades. Ele busca o alimento com coragem e é considerado o guerreiro das matas, é corajoso, viril e Logun-odé tem estas características, é um Òrìsà guerreiro.
Após ser abandonado por Osun, que vai morar com Xangô, Logun vai  viver com Ogum, aprende com ele as artes da guerra e da metalurgia. É coroado por Iansã como o príncipe dos Orixás. É amigo íntimo de Yewá, seriam eles os Orixás que se complementam, considerados o par perfeito.

Então eu lhe pergunto, esse é o Logun Edé que encontramos nos terreiros hoje?

O Logun edé que encontramos hoje é um doce menino de 12 anos, que seu igbá é recheado de brinquedos de plástico, coisa que não existia no candomblé antigo, um menino doce e meigo que veste saia comprida, que se banha no meio do salão, dando ilá gemido igual de iyagbá, mais sensível que Òsún e Iyemanja juntas.  Oloogun Ede, que foi transformado de guerreiro em uma criança, e algumas pessoas chegaram ao exagero de colocar nesse grande Orixá um espelho em seu igbá. Não contentes, chegaram ao cúmulo de fazer o assentamento desse Orixá em uma vasilha de louça. 

Encruzilhada - O palco da vida.
Quando se fala em encruzilhada, imediatamente surge na cabeça dos brasileiros a ideia de Exu e de “bozó”, nome pelo qual o povo gosta de designar as oferendas que o povo de candomblé faz fora do terreiro-templo. Claro que a referida divindade está, sim, ligada aos entrecruzamentos de caminhos. Mas o simbolismo da encruzilhada e, consequentemente, da cruz está presente em muitas religiões, sendo, assim, universal. O catolicismo soube enaltecer e ao mesmo tempo popularizar a imagem da cruz, mostrando Jesus sacrificando-se pela humanidade, momento em que ultrapassou seu estágio humano. A cruz, com seus quatro “braços” que apontam para os quatro pontos cardeais, é símbolo de orientação no espaço, para que a jornada humana não seja perdida.
A encruzilhada, portanto, é um lugar de pausa, um momento parado no tempo, que leva à mudança de um estágio a outro ou, simplesmente, de uma situação a outra. Quando, portanto, oferendas nas encruzilhadas são depositadas, está se pedindo inspiração para o novo caminho que se deseja trilhar. Está se pedindo a quem? A Exu, que é, na crença nos orixás, a divindade orientadora dos caminhos, responsável por mostrar a direção correta a ser tomada, tendo em vista que as dúvidas e incertezas possam, por fim, dar o descanso necessário à mente. Exu é a nossa bússola, aquele que nos protege para que não fiquemos desnorteados. Afinal, enquanto seres humanos, nós somos muito instáveis.
Em rituais celebrados pelo candomblé, a característica de instabilidade do ser humano é cantada: Pákun aboìxá; Ibà pa ràn tán axó dá ma aro; a fi dà wa rá àxé akó ma orixá; orixá wa baba alaye = Apague o fogo dos incêndios e nos proteja do aguaceiro; apague o fogo, o calor que se alastra; termine com as muitas discussões e tristezas criadas; nós somos instáveis, transforme-nos, imploramos sempre pelas suas instruções e sua doutrina, orixá. Seja nosso mestre, o dono do nosso modo de viver. Cecília Meireles, em seu poema Ou isto ou aquilo, também nos lembra dessa particularidade, que tanto desgaste dá à mente humana:
“Ou se tem chuva e não se tem sol/ ou se tem sol e não se tem chuva!// Ou se calça a luva e não se põe o anel/ ou se põe o anel e não se calça a luva!// Quem sobe nos ares não fica no chão,/ quem fica no chão não sobe nos ares.// É uma grande pena que não se possa/ estar ao mesmo tempo em dois lugares!// Ou guardo o dinheiro e não compro o doce/ ou compro o doce e gasto o dinheiro.// Ou isto ou aquilo… ou isto ou aquilo…/ e vivo escolhendo o dia inteiro!// Não sei se brinco, não sei se estudo/ se saio correndo ou fico tranquilo// Mas não consegui entender ainda/ qual é melhor, se é isto ou aquilo.”
A vida nos coloca sempre em encruzilhadas, onde somos obrigados a escolher que atitude tomar, por isto se diz que é na encruzilhada que se encontra o destino. É que as encruzilhadas, isto é, os cruzamentos de caminhos, são espaços sagrados, daí a responsabilidade que se deve ter com os rituais e, consequentemente, os pedidos feitos nestes locais. Por exemplo, é comum o hábito de se depositar oferendas para determinadas “entidades”, com o objetivo de conseguir um amor. Inocentes pessoas que, sem o conhecimento devido, não sabem que os amores assim conseguidos são passageiros, tanto que em latim a palavra encruzilhada é conhecida como trivium, significando aquilo que é trivial, que é efêmero.
Repetindo, as encruzilhadas são lugares sagrados onde se pede ajuda aos deuses para que tenhamos critérios nas escolhas feitas, a fim de não nos perdermos no caminho. São também nesses locais que pessoas que possuem o devido preparo espiritual, com muita responsabilidade e respeito, realizam rituais cuja finalidade é despachar, no sentido de expulsar, as energias negativas, que o sagrado consegue transmutar em energias positivas, para depois serem devolvidas aos homens, já livre de todas as impurezas. Pois as encruzilhadas são lugares, e momentos, de reflexão para escolha do caminho a seguir, mas também são lugares naturais para que possamos nos desvencilhar das negatividades por nós criadas ou em nós respingadas.
6+5=12 A prosperidade no candomblé.
Para quem tem como prática religiosa o culto aos orixás, o dia 6 do mês 6 foi, e continuará sendo, de extrema importância. Afinal, no profundo sistema numérico do jogo de búzios, o número 6 foi o responsável por trazer a prosperidade para a Terra. Para o povo africano, de quem herdamos uma boa parcela de nossa filosofia de vida, ser próspero é uma obrigação. Por isso, nessa data, o “povo de santo” fica todo ouriçado: põe suas melhores joias, sai para fazer compras e faz oferendas. Tudo para atrair prosperidade. O alcance dessa graça é um dos maiores desejos do ser humano. Mas quem é essa tão desejada prosperidade?…
Diferente do que normalmente se costuma pensar, a filosofia yorubá não relaciona prosperidade, apenas, a dinheiro. A referida palavra quer indicar uma reunião de circunstâncias que precisam ser buscadas, para que se vá alcançando, continuamente, um estado mais elevado do ser, em seus diferentes aspectos: físico, emocional, social, espiritual e, é claro, financeiro. Até mesmo porque de nada adianta se ter muito dinheiro sem a tranquilidade necessária para saber usá-lo com sabedoria.
Quando elevamos nossos pensamentos aos orixás, dizemos: Olu wá mi, fún mi ni ekun fún mi ni owo = Venha meu senhor e me traga força pura para que eu possa ter dinheiro. Força pura é o axé que permite que os obstáculos sejam vencidos. É um grande risco, então, pedir dinheiro aos deuses, sem que se tenha antes pedido e alcançado o axé necessário para que ele seja um aliado e não um inimigo. Dinheiro, sexo e poder são como “faca de dois gumes”: tanto podem levar à ascensão como ao fracasso.
Este artigo é fruto da vivência que tive com dois filhos meus. Um pela empolgação e outro pela curiosidade demonstraram interesse de conhecer mais profundamente, e de acordo com a tradição que os guia, um tema a que outras tradições também se dedicam com afinco – a prosperidade, que na cultura yorubá é simbolizada pelo número seis. É através da leitura dos números que esse povo e seus descendentes encontram soluções para as dificuldades diárias. Os números falam e os mitos nos ajudam a entender o que eles dizem. Sem o conhecimento das histórias míticas nunca entenderíamos o porquê de ser dito: 6 + 12 = 5:
O número 6 e o número 12 surgiram de um bloco de ouro. Eles se apaixonaram, perdidamente. Dessa união nasceu Ajé – orixá símbolo da riqueza –, irmã de Yemanja – a dona da pérola e de outras pedras preciosas, orixá que tem no número 5 uma de suas formas de se comunicar. Do número seis, portanto, nasceram a riqueza e o costume de usar joias; mas também com ele vieram a vaidade e o orgulho, que podem levar à destruição de tudo que se conquistou. Esse número lembra-nos que o destino das criaturas é a prosperidade e que a humildade é uma das condições fundamentais para a aquisição desta graça.
O número 6 nos conta, através de um de seus mitos:
Todos os anos, Olorum fazia uma festa e convidava os números 1 a 16, a fim de que eles prestassem conta de seus atos na Terra. Encerrada a reunião, todos eram presenteados de acordo com o valor de seus méritos. Naquele ano, porém, a Divindade Suprema resolveu que daria um presente igual para todos. O número 6 era muito pobre e por isto seus irmãos foram até sua casa, antes da festa, para almoçar. A real intenção era humilhar o dono da casa, que mal tinha como alimentar sua própria família. Seis deu tudo que tinha guardado para a alimentação do mês. Nem assim deixou de sofrer gozação. Já cansado de tanta humilhação, ele desistiu de ir à tal reunião. Olorum sentiu sua falta, mas nada comentou.  No final da festa, os números, de 1 a 16 (menos 6), receberam uma abóbora. Todos ficaram revoltados com um presente tão simples e despejaram todas as abóboras na casa de 6. Eles só não sabiam que os frutos estavam recheados com ouro e joias. No ano seguinte, todos se surpreenderam ao ver que o mais pobre dos irmãos era agora muito rico. Olorum, então, disse-lhes: Vocês todos têm riqueza, mas 6 tem prosperidade.