segunda-feira, 5 de agosto de 2013

 

Naés ou Mami Wata e as Tògbosì


Mami Wata é uma corruptela da palavra “Mommy Water” e significa “mãezinha da água”. Naé significa “mãe”. É o nome coletivo das deusas daomeanas das águas doces ou salgadas. Vivem em plena harmonia com todas as divindades destes habitat e por essa razão convencionou-se chamar Yemanjá e Òsún, nas casas Jejes, de Mami Wata ou Naé.
As Naés são mulheres muito vaidosas, caridosas, algumas são guerreiras e outras caçadoras. Adoram o brilho das pedras e do ouro e gostam de se adornar com colares de conchas e caramujos, pulseiras, etc.
Algumas Naés vivem na superfície das águas, são as mais falantes e adoram se enfeitar. Gostam de passear pela mata, caçar, junto com Agué aprenderam o domínio das folhas, pescam junto com Averekete. São as mais vaidosas e são muito juviais. Já outras preferem as profundezas das águas, gostam de ficar quietas e não são muito falantes, mas são muito bondosas e compreensivas.
As mais misteriosas e feiticeiras, são as Naés que habitam as águas paradas. Acredita-se que estas Naés estam ligada à feitiçaria, ao culto dos Akututus (Eguns) e são conhecedoras da alta magia, além de ser as mais guerreiras. Mantém ligações também com Nanã.
Muitos consideram e convencionam chamar de Togbosì (onde Tò: água; gbo: grande quantidade; sì: dando idéia de “pertencer”, podendo também significar “esposa”)  às divindades do panteão Mami Wata. O fato é que esta palavra já é utilizada para designar um outro grupo de Voduns (a palavra mais adequada seria sub-voduns) meninas, que pertenciam à realeza do antigo Dahomey. As Togbosi eram cultuadas no Brasil no Kwerenbentan to Zomadonu (Casa das Minas) até a década de 60 aproximadamente. Elas só chegavam nas Vodunsì Gonjai, mulheres com plena iniciação. Cada Tògbosì era particular de sua Gonjai. Após a morte dessa Gonjai, aquela Tògbosì não chagava mais. Sua missão havia terminado ali. Com o tempo perdeu-se o fundamento destas princesinhas voduns e deixaram de ser cultuadas. A preparação das Gonjai durava 9 dias e eram recolhidas em um barco denominado “Barco das Meninas” ou “Barco das Novidades”. No Benin as Tògbosì ainda tem culto organizado nos rituais dos Voduns Reais, elas simbolizam a ultima fase de preparação das Vodunsis.
Voltando às Naés, abaixo algumas, mais conhecidas:
Naé Aziri: Esta Naé habita o fundo das águas doces, representada por uma serpente aquática, e que é muito confundida com Òsún. Tem fundamentos com Dan.
Aziri Tògbosì: É tida como a mais importante mãe das águas da Nação Jeje Mahi. Habita o fundo das águas, tanto doces como salgadas, veste-se de branco e usa um colar de pérolas. Tem ligações com a mãe nagô Yemanjá.
Naé Gorejí: É uma menina que adora passear pelas águas. Ligada às águas doces e salgadas, seu local preferido são as lagoas, onde ela adora brincar com os patos e aprender com as velhas Naés das águas paradas o segredo da magia. Em alguns aspectos se assemelha a Òsún, pois é muito vaidosa e adora as crianças. Em seus assentamentos podemos encontrar vários brinquedos de meninas.
Sayò: É a sereia que vive sobre as ondas do mar. Está ligada à Naé Agbé e junto com ela sempre que podem evitam os afogamentos e salvam vidas.
Naé Agbé: muito ligada e por vezes confundida com Yemanjá, esta Naé é velha e habita o fundo das águas. Representa todo o conhecimento e a inteligência dos seres, está ligada à verdade, é ela quem faz que a verdade sempre apareça. (Não confundir com o vodun Agbé Tayó que é o Rei do Oceano, nem com Agbé Gèlèdè e Agbé Afefé que são voduns guerreiras ligadas aos ventos, raios e akututus (eguns)).
Òsún: vodun de origem nagô, senhora da beleza e das águas doces, sendo uma mãe muito importante nos cultos de Jeje Mahi.
Yemanjá: vodun de origem nagô, senhora do oceano e considerada a mãe dos demais nagô-voduns. Está ligada ao conhecimento e a inteligência, à família e à maternidade.

Naés ou Mami Wata e as Tògbosì


Mami Wata é uma corruptela da palavra “Mommy Water” e significa “mãezinha da água”. Naé significa “mãe”. É o nome coletivo das deusas daomeanas das águas doces ou salgadas. Vivem em plena harmonia com todas as divindades destes habitat e por essa razão convencionou-se chamar Yemanjá e Òsún, nas casas Jejes, de Mami Wata ou Naé.
As Naés são mulheres muito vaidosas, caridosas, algumas são guerreiras e outras caçadoras. Adoram o brilho das pedras e do ouro e gostam de se adornar com colares de conchas e caramujos, pulseiras, etc.
Algumas Naés vivem na superfície das águas, são as mais falantes e adoram se enfeitar. Gostam de passear pela mata, caçar, junto com Agué aprenderam o domínio das folhas, pescam junto com Averekete. São as mais vaidosas e são muito juviais. Já outras preferem as profundezas das águas, gostam de ficar quietas e não são muito falantes, mas são muito bondosas e compreensivas.
As mais misteriosas e feiticeiras, são as Naés que habitam as águas paradas. Acredita-se que estas Naés estam ligada à feitiçaria, ao culto dos Akututus (Eguns) e são conhecedoras da alta magia, além de ser as mais guerreiras. Mantém ligações também com Nanã.
Muitos consideram e convencionam chamar de Togbosì (onde Tò: água; gbo: grande quantidade; sì: dando idéia de “pertencer”, podendo também significar “esposa”)  às divindades do panteão Mami Wata. O fato é que esta palavra já é utilizada para designar um outro grupo de Voduns (a palavra mais adequada seria sub-voduns) meninas, que pertenciam à realeza do antigo Dahomey. As Togbosi eram cultuadas no Brasil no Kwerenbentan to Zomadonu (Casa das Minas) até a década de 60 aproximadamente. Elas só chegavam nas Vodunsì Gonjai, mulheres com plena iniciação. Cada Tògbosì era particular de sua Gonjai. Após a morte dessa Gonjai, aquela Tògbosì não chagava mais. Sua missão havia terminado ali. Com o tempo perdeu-se o fundamento destas princesinhas voduns e deixaram de ser cultuadas. A preparação das Gonjai durava 9 dias e eram recolhidas em um barco denominado “Barco das Meninas” ou “Barco das Novidades”. No Benin as Tògbosì ainda tem culto organizado nos rituais dos Voduns Reais, elas simbolizam a ultima fase de preparação das Vodunsis.
Voltando às Naés, abaixo algumas, mais conhecidas:
Naé Aziri: Esta Naé habita o fundo das águas doces, representada por uma serpente aquática, e que é muito confundida com Òsún. Tem fundamentos com Dan.
Aziri Tògbosì: É tida como a mais importante mãe das águas da Nação Jeje Mahi. Habita o fundo das águas, tanto doces como salgadas, veste-se de branco e usa um colar de pérolas. Tem ligações com a mãe nagô Yemanjá.
Naé Gorejí: É uma menina que adora passear pelas águas. Ligada às águas doces e salgadas, seu local preferido são as lagoas, onde ela adora brincar com os patos e aprender com as velhas Naés das águas paradas o segredo da magia. Em alguns aspectos se assemelha a Òsún, pois é muito vaidosa e adora as crianças. Em seus assentamentos podemos encontrar vários brinquedos de meninas.
Sayò: É a sereia que vive sobre as ondas do mar. Está ligada à Naé Agbé e junto com ela sempre que podem evitam os afogamentos e salvam vidas.
Naé Agbé: muito ligada e por vezes confundida com Yemanjá, esta Naé é velha e habita o fundo das águas. Representa todo o conhecimento e a inteligência dos seres, está ligada à verdade, é ela quem faz que a verdade sempre apareça. (Não confundir com o vodun Agbé Tayó que é o Rei do Oceano, nem com Agbé Gèlèdè e Agbé Afefé que são voduns guerreiras ligadas aos ventos, raios e akututus (eguns)).
Òsún: vodun de origem nagô, senhora da beleza e das águas doces, sendo uma mãe muito importante nos cultos de Jeje Mahi.
Yemanjá: vodun de origem nagô, senhora do oceano e considerada a mãe dos demais nagô-voduns. Está ligada ao conhecimento e a inteligência, à família e à maternidade.

Naés ou Mami Wata e as Tògbosì


Mami Wata é uma corruptela da palavra “Mommy Water” e significa “mãezinha da água”. Naé significa “mãe”. É o nome coletivo das deusas daomeanas das águas doces ou salgadas. Vivem em plena harmonia com todas as divindades destes habitat e por essa razão convencionou-se chamar Yemanjá e Òsún, nas casas Jejes, de Mami Wata ou Naé.
As Naés são mulheres muito vaidosas, caridosas, algumas são guerreiras e outras caçadoras. Adoram o brilho das pedras e do ouro e gostam de se adornar com colares de conchas e caramujos, pulseiras, etc.
Algumas Naés vivem na superfície das águas, são as mais falantes e adoram se enfeitar. Gostam de passear pela mata, caçar, junto com Agué aprenderam o domínio das folhas, pescam junto com Averekete. São as mais vaidosas e são muito juviais. Já outras preferem as profundezas das águas, gostam de ficar quietas e não são muito falantes, mas são muito bondosas e compreensivas.
As mais misteriosas e feiticeiras, são as Naés que habitam as águas paradas. Acredita-se que estas Naés estam ligada à feitiçaria, ao culto dos Akututus (Eguns) e são conhecedoras da alta magia, além de ser as mais guerreiras. Mantém ligações também com Nanã.
Muitos consideram e convencionam chamar de Togbosì (onde Tò: água; gbo: grande quantidade; sì: dando idéia de “pertencer”, podendo também significar “esposa”)  às divindades do panteão Mami Wata. O fato é que esta palavra já é utilizada para designar um outro grupo de Voduns (a palavra mais adequada seria sub-voduns) meninas, que pertenciam à realeza do antigo Dahomey. As Togbosi eram cultuadas no Brasil no Kwerenbentan to Zomadonu (Casa das Minas) até a década de 60 aproximadamente. Elas só chegavam nas Vodunsì Gonjai, mulheres com plena iniciação. Cada Tògbosì era particular de sua Gonjai. Após a morte dessa Gonjai, aquela Tògbosì não chagava mais. Sua missão havia terminado ali. Com o tempo perdeu-se o fundamento destas princesinhas voduns e deixaram de ser cultuadas. A preparação das Gonjai durava 9 dias e eram recolhidas em um barco denominado “Barco das Meninas” ou “Barco das Novidades”. No Benin as Tògbosì ainda tem culto organizado nos rituais dos Voduns Reais, elas simbolizam a ultima fase de preparação das Vodunsis.
Voltando às Naés, abaixo algumas, mais conhecidas:
Naé Aziri: Esta Naé habita o fundo das águas doces, representada por uma serpente aquática, e que é muito confundida com Òsún. Tem fundamentos com Dan.
Aziri Tògbosì: É tida como a mais importante mãe das águas da Nação Jeje Mahi. Habita o fundo das águas, tanto doces como salgadas, veste-se de branco e usa um colar de pérolas. Tem ligações com a mãe nagô Yemanjá.
Naé Gorejí: É uma menina que adora passear pelas águas. Ligada às águas doces e salgadas, seu local preferido são as lagoas, onde ela adora brincar com os patos e aprender com as velhas Naés das águas paradas o segredo da magia. Em alguns aspectos se assemelha a Òsún, pois é muito vaidosa e adora as crianças. Em seus assentamentos podemos encontrar vários brinquedos de meninas.
Sayò: É a sereia que vive sobre as ondas do mar. Está ligada à Naé Agbé e junto com ela sempre que podem evitam os afogamentos e salvam vidas.
Naé Agbé: muito ligada e por vezes confundida com Yemanjá, esta Naé é velha e habita o fundo das águas. Representa todo o conhecimento e a inteligência dos seres, está ligada à verdade, é ela quem faz que a verdade sempre apareça. (Não confundir com o vodun Agbé Tayó que é o Rei do Oceano, nem com Agbé Gèlèdè e Agbé Afefé que são voduns guerreiras ligadas aos ventos, raios e akututus (eguns)).
Òsún: vodun de origem nagô, senhora da beleza e das águas doces, sendo uma mãe muito importante nos cultos de Jeje Mahi.
Yemanjá: vodun de origem nagô, senhora do oceano e considerada a mãe dos demais nagô-voduns. Está ligada ao conhecimento e a inteligência, à família e à maternidade.

ODÚ ÌWÁ PÉLÉ

Odù Ìwà Pèlè

As casas de Àse sempre procuram de alguma forma passar ensinamentos ligados ao bom caráter e as boas ações. Porém o iniciado sente falta, creio eu, de um aprendizado focado em uma didática que os apoiem e lhes mostrem dentro das escrituras sagradas como estas determinações fazem parte de nossa religião, não como mero objeto de comportamento, mas como fator fundamental do desenvolvimento espiritual.
Um mau caráter, que difere de um Orí buruku, não tem caminho dentro da religião, seu poder de transformar positivo em negativo, mal/mau em bem/bom, está seriamente comprometido perante as forças positivas do òrun.
Creio que um exemplo clássico de mau comportamento e a busca pela sua recuperação está no oríkì abaixo que deveria ser lido e meditado, não importando o tamanho do seu conhecimento na literatura de Ifá.
Não estamos nesta religião pelo òrìsà, estamos nesta religião por nós, por nossa busca pela evolução, pela quitação de nossas dividas, pela nossa descendência, buscamos tudo isso com a ajuda de nosso òrìsà e o àse do mesmo que nos foi dado pelo sacerdote que nos iniciou nos mistérios. Façamos nosso dever de casa.
Não podemos ter vergonha de sermos honestos, sermos retos, transparentes e não compactuarmos com ações erradas sejam elas de quem quer que seja.
Pai, mãe, filho, sacerdote e etc.
Pois qualquer um destes acima podem um dia nos trair.
O Odù Òfún ’Ògúndá diz:
Mentir é inaceitável dentro do círculo de Ifá.
Traição é proibida dentro Ifá.
Se alguém secretamente praticava traição.
Sua consciência culpada será o seu tormento eterno.
Este foi o jogo de Ifá emitido para akuko Gàgàrà (O grande galo).
Quem era amigo de Ekò (a minhoca da terra)?
O quê! O amigo foi traído por uma bicada.
Àse.
Da Ilha.
Abaixo veremos os comentários de um Bàbáláwo sobre este Oríkì.
Agbo ato, eu posto aqui, com o meu comentário, porque para mim o que está escrito é a chave para curar as feridas que estão ameaçando os fundamentos de nossa fé.
Por: Áwo Fatunbi
Oriki Ìwà Pèlè invocação para o bom caráter.
Ká mú rágbá tagbá, Ìwà.
Ká mú rágbá tagbá, Ìwà.
Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir da árvore rágbá e golpeá-la contra a cabaça, vamos saudar Ìwà. Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir da árvore rágbá, para atacar a cabaça, vamos saudar Ìwà.
Comentário: A vara de madeira rágbá usada para a chamada está sendo usado para invocar o bom caráter, sugerindo que o bom caráter é o fundamento da nossa disciplina espiritual.
Ká mú rágbá ká fi tàkuta, wà.
Ló dífá fún Òrúnmìlà, Baba nlo gbéwà níyàwó.
Nigbà tí Òrúnmìlà yóókó gbéyàwó,
Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá e atacar uma pedra, vamos saudar Ìwà. Adivinhação de Ifá foi executada para o Espírito do Destino, quando o pai ia se casar com Ìwà. A primeira vez que o Espírito do Destino casou com uma mulher.
Comentário: Estarmos dizendo que Òrúnmìlá está tomando Ìwà como uma mulher é dizer que Òrúnmìlá é a integração dos aspectos masculinos e femininos de seu Orí, que é a função psicológica de toda a iniciação.
Ìwà ló gbé níyàwó.
Ìwà sì rèé, Sùúrù ló bí i.
Nígbà tí Òrúnmìlà féé gbé Ìwà níyàwó, Ìwà ní, kò burú,
Ele se casou com Ìwà. Ìwà era a filha da Paciência. Quando o Espírito do Destino fez a proposta para Ìwà, ela disse que estava tudo bem.
Comentário: Ìwà é a palavra iorubá para caráter e aqui caráter está enraizado na ideia de paciência, o que significa compromisso de progredir com calma, porém de forma constante.
Òun ófèé o, Sùgbón kiní kan ni o.
Èniyàn kì í lé òun jáde o.
Ènyin kì í òun nílò omi òjò Èniyàn kì í fìyàá je òun. . .
Ela disse que se casaria com ele. Havia um tabu a ser observado. Ninguém deve mandá-la embora de sua casa matrimonial. Ela não deve ser usada descuidadamente como se usa a água da chuva. Ninguém deve puni-la desnecessariamente. . .
Comentário: Isto significa que não há desculpa para não desenvolver um bom caráter, aconteça o que acontecer, seja qual for a nossa circunstância, precisamos permanecer comprometido com a ideia de viver uma vida baseada nos princípios de Ifá de bom caráter.
Òrúnmìlà ní, ‘Háà Olórun máà jé’.
Òun á tójú e, Òun ó kèé o, Òun ó gè ó.
Ló bá gbé Ìwà níyàwó.
O Espírito do Destino disse: “O Criador não vai me deixar fazer uma coisa dessas.” Ele disse que iria cuidar dela. Ele disse que o iria tratá-la com amor e ele iria tratá-la com gentileza. Ele então se casou com Ìwà.
Comentário: Esta é uma forma poética de dizer que nascemos bons e abençoados e que temos a obrigação espiritual de manter o bom caráter como uma expressão da nossa relação com o Criador.
Ìgbà tó gbé Ìwà níyàwó, Ìgbà tó p títíítí, ló bá sú u. . .
Ló bá bèré síí da Ìwà láàmú.
Bó gbé e,
Depois de muito tempo, ele tornou-se infeliz com ela. . .
Ele começou a preocupar Ìwà. Se ela fizesse uma coisa, ele se queixava de que ela fez errado.
Comentário: Isto sugere que o compromisso de desenvolver um bom caráter é um desafio e que muitas vezes somos tentados a desistir do processo, porque a disciplina para o desenvolvimento do bom caráter é constantemente confrontada por ciúmes, difamação impaciência, desonestidade e conflito infundado e nós ainda necessidade manter o nosso compromisso de bom caráter.
A ní kò gbe e ‘re.
Bó sò, A ní kò sò ó re.
Nígbà Ìwà rí i pé wàhálà náàá pàpòjù, ni Ìwà bá ní kò burú, Òun á lo sílée baba òun.
Se ela fizesse outra coisa, ele também se queixava. Quando Ìwà viu que o problema era demais para ela, Ìwà disse que iria para casa de seu pai.
Comentário: A ideia de ir para a casa de nosso pai é a ideia de que quando a disciplina do desenvolvimento do bom caráter torna-se muito forte, queremos reverter este quadro passando para o comportamento infantil. Em outras palavras, regredir a um estágio anterior do desenvolvimento é fingir que os problemas que nos confrontam no presente, não são reais. Em termos psicológicos isso é chamado de evitação.
Àkóbí Olódùmarè sì ni baba rè náà, Sùúrú, baba Ìwà. Ló bá kó jáde nílé, ló bá gbòde Orun lo.
Ela era o primeiro filho do Criador. Seu nome era Paciência, o pai de Ìwà é o Criador. Ela reuniu sua cabaça de utensílios e deixou sua casa para ir viver no òrun.
Comentário: Quando o Odù refere-se a uma pessoa que está voltando ao òrun é uma referência à conexão com o Eu superior (Orí). Estamos sempre ligados ao Eu superior através de nossa conexão com Orí inu, que os psicólogos chamam de auto inconsciência. Assim sendo, retornar para o òrun é uma referência ao fato de que a dificuldade em desenvolver um bom caráter está causando problemas que são motivados a partir de uma fonte inconsciente ou invisível e òrun é a palavra iorubá para o reino invisível do Ser.
Nígba tÒrúnmìlà yóó dèé, to se, ‘E kú ilé, E kú ilé, E kú ilé.
Ìwà kò yojú.
Quando o Espírito do Destino retornou à sua casa, ele disse:
“Saudações ao povo da casa, saudações ao povo da casa, saudações ao povo da casa”. Mas Ìwà não respondeu.
Comentário: Esta frase é uma referência a Òrúnmìlá estar examinando a si mesmo, olhando para seu próprio estado consciente de ser. Quando Ifá fala de uma casa, geralmente está se referindo a Orí.
Baba wáá bèèrè pé Ìwà dà?
Àwon ará ilé yòóku ni àwon kò rí Ìwà.
‘Níbo ló lo?
Ó lo ojà ni?
Ó se kiní kan ni?’
O pai pediu Ìwà. Os outros membros da família disse que não a viram.
Onde ela foi?
Será que ela foi ao mercado?
Será que ela foi a algum lugar?
Comentário: O pai ou o componente consciente de Orí está fazendo uma autoanalise, o que aconteceu com o bom caráter de Òrúnmìlá, por que não esta evidente o sentido casa do Orí.
Títítítí, ló bá f ééjì kún eéta, ló bá lo sílé aláwo.
Wón wí fún un pé Ìwà ti sá lo ni.
Kó máa wá a lo sílé Alárá.
Nígbà tó délé Alárá, ó ní,
Ele fez essas perguntas por um longo tempo até que ele pegou dois cauwries (búzios) com mais três e foi à casa de um adivinho. Disseram-lhe que Ìwà havia fugido. Ele foi aconselhado a ir encontrá-la na casa de Alára. Quando ele chegou à casa de Alara, ele disse:
Comentário: A referência aos búzios é uma referência para os primeiros quatro princípios do Odù Ifá que significam: vida, morte, transformação e renascimento. É o movimento através destes quatro princípios que mantém nossa conexão com a disciplina espiritual de manter um bom caráter. Quando levamos esta questão para a casa de Alára estamos pedindo a intervenção divina. Alara é a elisão de: Alá ra, que significa: A luz que se espalha na consciência.
Ká mú rágbá, ‘Ká fi tagbá, Ìwà là n wá o, Ìwà.
“Se tomarmos um objeto de madeira rágbá e pô-la contra a cabaça, Ìwà é o que estamos buscando. Vamos saudar Ìwà. Se tomarmos um objeto de madeira feita de rágbá, é Ìwà que estamos buscando.
Comentário: O processo de reconexão com o bom caráter começa com o compromisso de utilizar as invocações e ferramentas sagradas de Ifa/òrìsá para invocar o bom caráter.
Ká fi tagbà, Ìwà là n wá o, Ìwà. Ká mú ràgbá, Ká fi tàkúta,
E golpeá-la contra a cabaça, é Ìwà o que estamos buscando. Vamos saudar Ìwà. Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de rágbá e golpeá-la contra a pedra.
Comentário: Golpeando um pedaço de pau contra uma pedra é uma referência ao òrìsá, pedindo para nos ajudar no processo de manter a disciplina espiritual que se refere ao desenvolvimento de um bom caráter.
Ìwà là n wá o, Ìwà.
Alárá o rìwà fún mi?
Ìwà là n wá o, Ìwà.
Ìwà é o que estamos buscando. Vamos saudar Ìwà. Alara, se você vir Ìwà me avise. Ìwà é o que estamos buscando, Ìwà.
Comentário: O Odù está pedindo Alara ou consciência divina para lançar luz sobre o problema da recuperação de um bom caráter.
Alàrà lóun ò ríwà, Baba tún d´lè Orangún ile Ilá, Omo eye abiyé hèruhèru.
Ó ní, njé ó rìwà fóun?
Ó lóun ò ríwà.
Alara disse que não viu Ìwà. O pai então foi para a casa de Orangún (Òfún méjì), rei da cidade de Ilá, descendentes de um pássaro com muitas penas. Ele perguntou se Orangún tinha visto Ìwà. Orangún disse que não tinha visto.
Comentário: A consciência de Alára ou a consciência divina está sendo solicitada para encontrar Orangún que é a elisão de: O ran oogun, que significa: O Espírito que aplica o medicamento, que é outra maneira de dizer e mostrar o ebo para corrigir este problema. Alára está olhando para a medicina em Ilá que é uma elisão de: I ala que significa: Eu sou a luz ou A luz de minha consciência. O versículo está dizendo que a medicina para nossa perda de bom caráter está dentro de nós, dentro de nosso Eu superior.
Kò síbi tí bò dé.
Nígbà tó pé títí, Ó tún bi òkè ipòríi rè léèrè.
Pé òún wà Ìwà títí délé Alárá,
Não havia um lugar que ele não tenha ido, depois de muito tempo, ele voltou e perguntou de seu Ifá (oráculo). Ele disse que olhou para Ìwà na casa de Alára.
Comentário: A busca pessoal para a salvação foi ineficaz para Òrúnmìlá, ele se voltou para a divinação ou a sabedoria ancestral em busca de uma solução.
Òún wá a délé Ajerò, Òún wá a délé Òràngún.
Òún wá dódò Ògbérè, awo Olówu.
Òún wá a dódò Àseegbá, awo Ègbá.
Òún wá a dódò Àtàkúmòsà, awo òde Ijèsà.
Ele olhou para ela na casa de Ajero, ele olhou para ela na casa de Orangún, ele olhou para ela na casa de Ogbere, sacerdote Ifa do Criador.
Comentário: Através de divinação Òrúnmìlá buscou orientação de Ajero uma elisão de: aje ro, que significa: o espírito do poder das mães desce.
Ele procurou a orientação de Orangún que significa o espírito da medicina. Ele procurou Ogbère da elisão de: Ogbè rere, que significa a boa sorte que se manifesta no Odù Èjì Ogbè.
Òún wá a dódò Òsépurútù, awo òde Rémo.
Wón ní Ìwà ti lo òde Orun.
Ó ní òún féé loo mú un níbè.
Wón ní kò burú, tó bá le se bo.
Ele olhou para ela na casa de Òsèpurutu, sacerdote de Ifá em Remo. Disseram-lhe que Ìwà tinha ido para o òrun. Ele disse que gostaria de ir até lá e levá-la de volta. Eles disseram que estava tudo bem, desde que realizasse um sacrifício.
Comentário: Òrúnmìlá está buscando a orientação do Odù Òsé’túrá que é o Odù que dá origem à fertilidade e é o Odù que faz a expansão do Orí, Òrúnmìlá é o Eléri ipin, que significa: A testemunha a Criação. Aqui Òrúnmìlá está pedindo para ser reiniciado, para que ele possa expandir sua consciência e resolver seu problema.
Wón ni kó rú awòn, kó foyin fún Èsú.
Ló bá foyin rúbo fún lá, Èsú.
Nigbà tí Èsú to oyin lá, Èsú ni ‘nín ló dùn tó báyìí?
Pediram-lhe para oferecer uma rede e disseram também para dar mel ao Espírito do Mensageiro Divino, Ele ofereceu o mel e quando o Mensageiro Divino provou o mel, ele disse:
‘O que é isso que é tão doce’
Comentário: Damos mel a Èsú quando estamos pedindo a Èsú para adoçar o nosso sentido de vida e remover a dor causada pela perda de nossa conexão com bom caráter.
Ni Òrúnmìlà bá di Egún, ló bá dòde Orun.
Ló bá tún bèré síí korin.
Inú èkú l’Òrúnmìlà wà.
Látojú àwòon rè ló ti rí Ìwà.
Ló bá so mó on. . .
Àwon pabi bà sobi dire bá sí aso lójú.
O Espírito do Destino colocou o traje dos antepassados (Égúngún) ​​e foi para o òrun, ele começou a cantar. O Mensageiro Divino pregou uma peça nele e foi procurar Ìwà.
Comentário: Aqui Òrúnmìlá passa pela possessão dos ancestrais, em um esforço para resolver o problema.
‘Ìwà, o ha sese báun, O si fi’un sílè lóde ayé, olo’.
Ìwà ní béè ni, ló jé kóun ósá lo,
O Mensageiro Divino avisou a todos que um homem havia chegado ao òrun e que estava olhando para Ìwà. Ìwà deixou seu esconderijo,
Comentário: Isto significa que podemos encontrar o nosso bom caráter na sabedoria dos antepassados.
Kóun ó ní ìfokànbalè’Òrúnmìlàní kó dákun, kó se Sùúrù, kó kálo.
Ìwà ò gbà,
Ela foi ao seu encontro, foi onde onde ele estava cantando. O Espírito do Destino estava vestido como um ancestral, ele abraçou-a.. .
Aquele que muda “a má sorte em boa sorte” abriu seu traje.
Comentário: O medicamento fundamental de Ifá é mudar a má sorte em boa sorte, está mostrando o sentido de restabelecer nossa conexão com bom caráter.
Sùgbón ó ní kò burú.
Ohun tóun óse sì tún kú.
Ó ní, ‘Ìwò Òrúnmìlà, Kó o maa wáá pada lo sóde ayé o.
Tó o bá padà débé.
O Espírito do Destino perguntou, ‘Ìwà por que você se comportou daquela forma, por que você fez isso?
Você me deixou no ayé e foi embora. Ela disse que tudo era verdade. Ela disse que foi embora por causa da maneira que ela foi tratada, foi por isso que ela fugiu.
Comentário: Quando ignoramos os tabus (Eéwo) que fazem do bom caráter um hábito, perdemos a capacidade de ascender facilmente a um bom caráter.
Gbogbo nnkan tóun ti kà ní èèwò fún o télèt élè, kó o ma se é o.
Kó o máa se dáadáa.
Kó ohùwà pèlépèlé.
Kó o tójú aya,
Ela a deixou ir para que ela pudesse ter paz de espírito. O Espírito do Destino pediu-lhe para ter paciência com ele e para segui-lo de volta ao ayé. Ela se recusou. Ela lhe disse para ele voltar para o ayé e honrar os tabus que ela havia lhe dado.
Comentário: Isto significa que nunca seremos perfeitos e que constantemente devemos nos esforçar para fazer melhor.
Kó o tójú omo.
Látòní lo, o ò níí fojú rí Ìwà báyìí.
Sùgbón òun ó maa báa yín gbé.
Sùgbón bó o bá ti se òun sí, béé ni ayé re ó se máa tò sí.
Àse.
Ela lhe disse para se comportar com bom caráter, para cuidar de sua futura esposa, para cuidar de seus filhos e você não me verá mais. Porém, vou cumprir com você o que você fez por mim, vou determinar o quão ordenado será sua vida.
Comentário: Esta é uma referência à ideia fundamental de que o do bom caráter traz boa fortuna.
Àse
 

CÓDIGO DE CONDUTA DE ỌRÚNMÌLÁ.

De maneira bastante interessante, todas as divindades têm características e tabus similares. Na dependência da variação do grau de agressividade, eles todos aceitam a imutabilidade das leis naturais, as quais teólogos e teósofos têm codificado dentro dos 10 mandamentos de Deus. Isto não é dizer que algumas divindades não mataram quando eles acreditaram ter fortes justificativas para fazê-lo, no momento em que códigos terrestres e celestes admitiram a punição capital como medida para sentenciar os ofensores capitais.
Sem exceção, todas as divindades também aceitaram a supremacia de Deus. No caso de Ọrúnm.lá, ele deixou na memória de todos seus apóstolos, discípulos, sacerdotes e seguidores que ele é apenas um servo de Deus, e no melhor conceito de Deus, este é o porquê ele é geralmente chamado Ajiboríşa Kpeero e Ukpin.
Ajiboríşa Kpeero significa a única divindade que acorda de manhã para ir saudar Deus na Reunião do destino, enquanto que Eleeri Ukpin significa a divindade que se sentou como testemunho do próprio Deus na corte do destino, quando o destino de todas as criaturas estava sendo designado.
Veremos mais tarde como Ọrúnm.lá foi nomeado testemunha de Deus quando Este começou seu trabalho criativo. Ògúnda-Meji nos revelará depois neste livro por que Deus ordenou a todas as divindades a retornarem para o Céu depois de fundarem a terra. Quando a terra estava em estado de desordem ele enviou Elenini para capturá-los todos e trazê-los de volta ao céu.
Eji-Ogbe, o mais velho missionário de Ọrúnm.lá, irá à seqüência revelar como ele retornou ao mundo sob o nome de Omoonighorogbo para ensinar ao povo do mundo como proceder em concordância com os desejos de Deus. Ele demonstrou pelos preceitos, exemplos e ações como viver e agir em concordância com as leis naturais e como viver em paz com Deus. Ele também demonstrou que a verdadeira felicidade vem apenas quando alguém devota um pouco do seu tempo de modo abnegado ao serviço dos outros. Ele também ilustra a virtude do amor ao próximo. Sem dizer que se alguém ama seu próximo, não poderá seduzir a sua esposa, matá-lo, alimentar rancor contra ele, roubar sua propriedade e enganá-lo.
Portanto como um filósofo prático, Ọrúnm.lá estima alguém que muito pode aumentar todo o amor por seu próprio vizinho, o lado bom muitas vezes está em ser recíproco. Entretanto, Ọrúnm.lá é extremamente contra retaliações e vinganças porque as divindades sempre ficarão ao lado dos justos.
A primeira obrigação de um homem com ele mesmo é preservar-se através da divinação e do sacrifício. Se uma pessoa forte está se envolvendo em alguma guerra aberta ou discreta contra alguém que carece de poder para combater estas forças invisíveis, Ọrúnm.lá adverte recorrer à divinação quando na dúvida e fizer algum sacrifício prescrito aos altos poderes. Uma fez feito o sacrifício, o receptador irá quase que imediatamente intervir nas maquinações do mal feitas pelos inimigos conhecidos e desconhecidas.
Ọrúnm.lá recomenda a seus seguidores a não se envolverem em preparados medicinais destrutivos, porque os mesmos podem conduzi-los a sua própria imolação. Contudo há alguns discípulos de Ọrúnm.lá cuja sobrevivência no mercado é a preparação de remédios, mas apenas com propósitos construtivos, de salvação e libertação.
Ọrúnm.lá é o melhor professor da eficácia da perseverança. Ele ensina que enquanto pode haver remédios que não sejam eficazes, não há paciência que fracasse em sobrepujar todas as dificuldades, porque as divindades irão ao final socorrer aqueles que perseveraram

CÓDIGO DE CONDUTA DE ỌRÚNMÌLÁ.

De maneira bastante interessante, todas as divindades têm características e tabus similares. Na dependência da variação do grau de agressividade, eles todos aceitam a imutabilidade das leis naturais, as quais teólogos e teósofos têm codificado dentro dos 10 mandamentos de Deus. Isto não é dizer que algumas divindades não mataram quando eles acreditaram ter fortes justificativas para fazê-lo, no momento em que códigos terrestres e celestes admitiram a punição capital como medida para sentenciar os ofensores capitais.
Sem exceção, todas as divindades também aceitaram a supremacia de Deus. No caso de Ọrúnm.lá, ele deixou na memória de todos seus apóstolos, discípulos, sacerdotes e seguidores que ele é apenas um servo de Deus, e no melhor conceito de Deus, este é o porquê ele é geralmente chamado Ajiboríşa Kpeero e Ukpin.
Ajiboríşa Kpeero significa a única divindade que acorda de manhã para ir saudar Deus na Reunião do destino, enquanto que Eleeri Ukpin significa a divindade que se sentou como testemunho do próprio Deus na corte do destino, quando o destino de todas as criaturas estava sendo designado.
Veremos mais tarde como Ọrúnm.lá foi nomeado testemunha de Deus quando Este começou seu trabalho criativo. Ògúnda-Meji nos revelará depois neste livro por que Deus ordenou a todas as divindades a retornarem para o Céu depois de fundarem a terra. Quando a terra estava em estado de desordem ele enviou Elenini para capturá-los todos e trazê-los de volta ao céu.
Eji-Ogbe, o mais velho missionário de Ọrúnm.lá, irá à seqüência revelar como ele retornou ao mundo sob o nome de Omoonighorogbo para ensinar ao povo do mundo como proceder em concordância com os desejos de Deus. Ele demonstrou pelos preceitos, exemplos e ações como viver e agir em concordância com as leis naturais e como viver em paz com Deus. Ele também demonstrou que a verdadeira felicidade vem apenas quando alguém devota um pouco do seu tempo de modo abnegado ao serviço dos outros. Ele também ilustra a virtude do amor ao próximo. Sem dizer que se alguém ama seu próximo, não poderá seduzir a sua esposa, matá-lo, alimentar rancor contra ele, roubar sua propriedade e enganá-lo.
Portanto como um filósofo prático, Ọrúnm.lá estima alguém que muito pode aumentar todo o amor por seu próprio vizinho, o lado bom muitas vezes está em ser recíproco. Entretanto, Ọrúnm.lá é extremamente contra retaliações e vinganças porque as divindades sempre ficarão ao lado dos justos.
A primeira obrigação de um homem com ele mesmo é preservar-se através da divinação e do sacrifício. Se uma pessoa forte está se envolvendo em alguma guerra aberta ou discreta contra alguém que carece de poder para combater estas forças invisíveis, Ọrúnm.lá adverte recorrer à divinação quando na dúvida e fizer algum sacrifício prescrito aos altos poderes. Uma fez feito o sacrifício, o receptador irá quase que imediatamente intervir nas maquinações do mal feitas pelos inimigos conhecidos e desconhecidas.
Ọrúnm.lá recomenda a seus seguidores a não se envolverem em preparados medicinais destrutivos, porque os mesmos podem conduzi-los a sua própria imolação. Contudo há alguns discípulos de Ọrúnm.lá cuja sobrevivência no mercado é a preparação de remédios, mas apenas com propósitos construtivos, de salvação e libertação.
Ọrúnm.lá é o melhor professor da eficácia da perseverança. Ele ensina que enquanto pode haver remédios que não sejam eficazes, não há paciência que fracasse em sobrepujar todas as dificuldades, porque as divindades irão ao final socorrer aqueles que perseveraram
 

CÓDIGO DE CONDUTA DE ỌRÚNMÌLÁ.

De maneira bastante interessante, todas as divindades têm características e tabus similares. Na dependência da variação do grau de agressividade, eles todos aceitam a imutabilidade das leis naturais, as quais teólogos e teósofos têm codificado dentro dos 10 mandamentos de Deus. Isto não é dizer que algumas divindades não mataram quando eles acreditaram ter fortes justificativas para fazê-lo, no momento em que códigos terrestres e celestes admitiram a punição capital como medida para sentenciar os ofensores capitais.
Sem exceção, todas as divindades também aceitaram a supremacia de Deus. No caso de Ọrúnm.lá, ele deixou na memória de todos seus apóstolos, discípulos, sacerdotes e seguidores que ele é apenas um servo de Deus, e no melhor conceito de Deus, este é o porquê ele é geralmente chamado Ajiboríşa Kpeero e Ukpin.
Ajiboríşa Kpeero significa a única divindade que acorda de manhã para ir saudar Deus na Reunião do destino, enquanto que Eleeri Ukpin significa a divindade que se sentou como testemunho do próprio Deus na corte do destino, quando o destino de todas as criaturas estava sendo designado.
Veremos mais tarde como Ọrúnm.lá foi nomeado testemunha de Deus quando Este começou seu trabalho criativo. Ògúnda-Meji nos revelará depois neste livro por que Deus ordenou a todas as divindades a retornarem para o Céu depois de fundarem a terra. Quando a terra estava em estado de desordem ele enviou Elenini para capturá-los todos e trazê-los de volta ao céu.
Eji-Ogbe, o mais velho missionário de Ọrúnm.lá, irá à seqüência revelar como ele retornou ao mundo sob o nome de Omoonighorogbo para ensinar ao povo do mundo como proceder em concordância com os desejos de Deus. Ele demonstrou pelos preceitos, exemplos e ações como viver e agir em concordância com as leis naturais e como viver em paz com Deus. Ele também demonstrou que a verdadeira felicidade vem apenas quando alguém devota um pouco do seu tempo de modo abnegado ao serviço dos outros. Ele também ilustra a virtude do amor ao próximo. Sem dizer que se alguém ama seu próximo, não poderá seduzir a sua esposa, matá-lo, alimentar rancor contra ele, roubar sua propriedade e enganá-lo.
Portanto como um filósofo prático, Ọrúnm.lá estima alguém que muito pode aumentar todo o amor por seu próprio vizinho, o lado bom muitas vezes está em ser recíproco. Entretanto, Ọrúnm.lá é extremamente contra retaliações e vinganças porque as divindades sempre ficarão ao lado dos justos.
A primeira obrigação de um homem com ele mesmo é preservar-se através da divinação e do sacrifício. Se uma pessoa forte está se envolvendo em alguma guerra aberta ou discreta contra alguém que carece de poder para combater estas forças invisíveis, Ọrúnm.lá adverte recorrer à divinação quando na dúvida e fizer algum sacrifício prescrito aos altos poderes. Uma fez feito o sacrifício, o receptador irá quase que imediatamente intervir nas maquinações do mal feitas pelos inimigos conhecidos e desconhecidas.
Ọrúnm.lá recomenda a seus seguidores a não se envolverem em preparados medicinais destrutivos, porque os mesmos podem conduzi-los a sua própria imolação. Contudo há alguns discípulos de Ọrúnm.lá cuja sobrevivência no mercado é a preparação de remédios, mas apenas com propósitos construtivos, de salvação e libertação.
Ọrúnm.lá é o melhor professor da eficácia da perseverança. Ele ensina que enquanto pode haver remédios que não sejam eficazes, não há paciência que fracasse em sobrepujar todas as dificuldades, porque as divindades irão ao final socorrer aqueles que perseveraram

Vodun Dan


Dan (Serpente) para nós, pertencentes a nação Jeje Mahi, é considerado o  maior Vodun dentro do culto. A família de Dan  é composta por muitos Voduns, todos eles com sua importância para os povos Fon. Dizem os mais antigos que, existem 3 reis e patronos da nação Jeje Mahi: DànGbé (Bessém), Sògbó e Azansú. Assim como Oxóssi tem sua importância para o Ketu, e Kitembo tem sua importância para Angola, esses três reis seriam a grande potência da nação, sendo reverenciados e cultuados por todos os filhos, independentes de seus voduns. Dentre esses três reis, se destaca Bessém por ser um dos primeiros deuses a existir e dele tudo nascer. Bessém é a serpente da vida, aquela cujo morder a própria cauda deu origem ao movimento de rotação e translação da terra e a partir daí, sendo possível a existência de vida no planeta. Os patriarcas da família de Dan é o casal Aidóhwedó e Dangbadáhwedó (Dambala). Aidóhwedó seria a serpente arco-íris e Dambala seria seu reflexo nas águas. Logo Dan seria a origem de tudo no planeta, sendo um dos responsáveis por sua existência e por sua habitação. Dentro da nação Jeje, Dan é o maior vodun, e a serpente, seu maior símbolo, sendo a representação viva de seu poder. A serpente representa o movimento e o dinamismo, uma vez que consegue se locomover com extrema facilidade e habilidade sem ser provida de patas ou outros membros; representa também a transformação, a evolução e a metamorfose, uma vez que troca de pele e se renova com frequência para poder crescer e se expandir; além de ser uma hábil caçadora e algumas espécies serem detentoras de poderosos venenos, mostrando seu poder e ao mesmo tempo exigindo cautela e respeito por parte dos demais animais e até mesmo nós seres humanos. Dan não é só representado pela serpente mas também pelo arco-íris que da mesma forma, possui grande significado para os dahomeanos uma vez que, sua presença nos céus é presságio de que não irá mais chover além de encantar pela sua beleza. No antigo Dahomey, são inúmeras as lendas que mistificam a natureza dessa divindade, sempre enaltecendo sua grandeza, sua realeza e seu poder. Muitos são os voduns que compõe a família Dan, sendo Bessém  o mais conhecido e louvado, sendo seu nome sinônimo da própria vida. Destacam-se também Frekwén ou Kwénkwén, Ojikún ou Dan Jikún, Bossá ou Bossalabê e seu irmão gêmeo Bosukó, Dan Ikó ou Dankó, Azannadô ou Azoannadô, Bafono Deká dentre outros, cada um com sua particularidade e mitos. A grande festividade para esse vodun é o Gboitá, ritual realizado no início do ano e que envolve todos os demais voduns, cada um recebendo as oferendas cabíveis e sacrifícios em seus Atisás (árvores sagradas com assentos). Após o Zandró, todos os voduns são invocados e já saem vestidos no arrebate, não existindo roda para invocá-los na sala. Seu presente, o gbòitá é carregado por Ogun e depois posto aos seus pés, iniciando assim o ano e agradecendo pela vida e por todo seu poder. O àndè (poço) é seu principal símbolo e é indispensável dentro de uma casa de Jeje. O poço simboliza a abundância (uma vez que enquanto tiver poço, se tem água e nunca faltará), além de representar um portal, entre o mundo subterrâneo e o nosso mundo, extraindo água do interior da terra, unindo de certa forma, ambos os elementos. Dan simboliza a riqueza, a prosperidade e a abundância. Une o macho e a fêmea, sendo sempre cultuado em casal e recebendo como sacrifícios animais de ambos os sexos. Dizem os mais antigos que serpente nunca anda só, onde uma está a outra está por perto, a espreita. Para os iorubás Dan é chamado de Òsúmárè, deixando de exercer função de rei para ser súdito de Xangô (divindade do fogo e trovões). Segundo os mitos iorubás, Oxumaré leva água para o castelo de Xangô, no alto das nuvens, representando a devolução, trazendo água da terra para o céu e vice-versa. Essa transformação de Rei para súdito se dá pelo fato de conflitos entre povos Dahomeanos e povos iorubás, onde ambos sempre tentavam invadir suas cidades e escravizar seus habitantes. O fato é que Dahomey e demais povos iorubás sempre guerrearam, gerando uma aglutinação de cultos e distorção de fatos. Dan é o grande Deus da transformação, senhor da vidência juntamente com Fá (vodun similar ao orixá Òrúnmíllá dos povos iorubás) englobando tudo o que se diz respeito ao presente, passado e futuro. Representa a sorte, a versatilidade e o conhecimento, sendo a divindade do raciocínio e da expansão. Tem como colares o brájá (feito de búzios devidamente encaixados lembrando escamas de serpente, representando a realeza e a riqueza) e o húnjèvè, sendo este dado apenas aqueles cujo processo de iniciação está completo, com suas obrigações pagas, representando a maior idade e sendo o único colar que vai com o neófito mesmo após sua morte, como se fosse uma espécie de “senha” para ser recebido no mundo dos Voduns. Seu simbolo é o Draká, seta adornada com duas serpentes mas, não é errado vermos alguns voduns Dàn com outras insígnias em suas mãos tais como Adaga, òfá, garras, ágbégbé. variando conforme conhecimento do sacerdote e caminhos do Vodun. Sua vestimenta varia conforme vodun, mas sua cor preferida é o branco, por simbolizar a união de todas as cores.
Alguns Voduns Dan
DanGbé, Dàn Gbé Sén ou Gbesén (Bessém): o nome significa “adorar a vida”, é o Ako Vodun (Vodun Principal) do povo Jeje Mahi, dono do Sejá Hunde. É o Vodun ligado a vida e a renovação.
Frekwen, Flekwen ou Kwenkwen: Feminina, irmã gêmea de Tokwen e ambos são filhos
de Aido Wedo e Dangbala. Guardiã do arco-íris em volta do sol. Também conhecida como Frekenda. Alguns dizem que é representada pelas cobras venenosas. Considerada pelos Jeje Mahi como a esposa (ou uma das esposas) de Bessém.
Dan Jikú, Ojikún ou Dan Jikun: Junto com Ewá, vive na parte branca do arco-íris e no arco-íris da lua. É quem trás as chuvas e é considerada uma das esposas de Bessém.
Azannadô, Azannawodô ou Azonadô: Este é um vodun ligado aos voduns de morada na árvore, como Loko. Era cultuado em uma grande árvore no Bogun. É um principe e é o símbolo da fartura.
Bosalabe: Toquem (adolescente) feminina, irmã gêmea de Bosuko e irmã de Ewá. Muito alegre e faceira vive nas águas doces. É conhecida também como Vodum Bossá.
Bosuko: Masculino, toquem (adolescente) e gêmeo de Bossá.
Dan Ikó: Ligada e por vezes confundida com Lissá e Oxalá.
Aidóhwedó, Aido Wedo ou Dan Aido Wedo: É a “Serpente Arco-Íris”, um Vodun raro e pouco conhecido, suas escamas tem o poder de refração de luz, formando assim o arco-íris.
Dangbadahwedo Dangbala ou Dangbala Wedo: Companheiro de Aido Wedo, e são pais de vários Voduns Dan. Dangbala é um vodun muito antigo, acredita-se que esteve presente na criação do mundo. Poucas são as casas que tem fundamentos para fazer Aido Wedo e Dangbala. No culto creole do Haiti (Vodu) são tidos como os maiores Lwás (deuses do vodu).
Azli, Naê Aziri ou Aziri Tolá: É tida como uma serpente das águas, muito confundida com Òsún. Habita o fundo das águas doces e se veste de amarelo bem clarinho. Também muito confundida com Azli Togbosi (Aziri Tobôssi).
Bafono ou Bafono Deká: Vodun masculino da família de Dan, com corpo de cobra e cabeça de crocodilo. Vive junto a Aziri no fundo das águas.
Obs.: No Ketu, muitos destes voduns são considerados qualidades de Oxumaré.

O SIGNIFICADO ESPECIAL DO BODE PARA ÈŞU. 

POR AZÁNRUMJI
 Este Iton nos lembra que tudo que fazemos dentro de nosso culto tem um porque, nada pode ser tirado da cartola como um passe de mágica, portanto lembrem-se que qualquer ebò (oferenda) tem uma finalidade e ninguém pode em nome de Deus tentar ocupar o lugar de Deus e ditar normas. Da Ilha.
Foi à deslealdade do bode que o tornou vítima sacrificial para Èşu. Mais importante, todavia, o bode tornou-se a principal oferenda para ele por causa de um débito como Rei da Morte. Irosun- Irete revela como o filho de um Ọdu de Ọrúnm.lá chamado Imoton ou “sabe-tudo” aborreceu o Rei da Morte. Para testar o quanto de sabedoría ele realmente tinha, como seu nome indicava, o Rei da Morte deu-lhe um bode para criar para ele, ordenando-lhe que ele trouxesse, anualmente, os filhotes que ele gerasse. Enquanto isso Ọrúnm.lá tinha pensado em comprar uma cabra para viver com o bode. Èşu alertou-o que esta abordagem não seria aceitável pelo Rei da Morte. Èşu disse a Ọrúnm.lá que lhe desse o bode para comer e que ele saberia o que fazer quando chegasse à hora.
Quatro anos mais tarde, o Rei da Morte mandou uma mensagem ao filho de Ọrúnm.lá para que lhe trouxesse o bode e suas crias. Nesse momento, Èşu pediu que lhe comprasse outro bode que ele também matou e comeu, deixando um de seus membros e a cabeça. Ele usou a para marcar pegadas no chão, simulando o movimento de uma grande quantidade de bodes. Èşu também preparou cordas
supostamente usadas para amarrar uma quantidade grande de bodes. Èşu em seguida acompanhou Ọrúnm.lá para responder ao enigma do rei da Morte. Chegando lá, Èşu explicou que quando eles vinham vindos com as crias ao lado do bode, um grupo de bandidos armados os atacou, roubando o bode e seus filhotes. Para substanciar a história, Èşu mostrou ao Rei da Morte as cordas usadas para amarrar todos os bodes. Acrescentou que eles tinham matado o bode Original e por isso lhe tinham trazido a cabeça e a pata.
O Rei da Morte então se voltou para Èşu dizendo que ele teria de pagar pelo bode perpetuamente.
Èşu por sua vez, reuniu as duzentas divindades e disse-lhes que daquela data em diante, se elas quisessem paz e prosperidade deveria sempre lhe oferecer bodes para que ele resgatasse seu débito como Rei da Morte. Esse é o bode que todos nós pagamos a Èşu até hoje. Até onde este autor pode verificar, todas as divindades conhecidas recomendam a seus seguidores oferecer, periodicamente, sacrifício de bodes a Èşu.
Poema Sagrado de Ifá / Òrúmìlá.

INICIAÇÂO NO JEJE MAHI


De um modo geral, a iniciação no Jeje é mais complicada do que a iniciação da Nação Ketu, a começar pelo tempo de reclusão dos neófitos que no passado durava até um ano. Hoje, devido ao ritmo de nossas vidas, este tempo caiu para seis meses. Três meses a vodunsi fica dentro do Hundeme (quarto de santo) e os outros três meses fora dele, mas ainda na roça. Durante seu período de iniciação a Vodunsi passará por várias etapas, entre as quais pode-se citar Sakpokàn ou Sarakpokàn, Vivauê, Kán, Duká, Zò, Sanjebé, Grá (ou Grã), etc. Dentre estes os de maior destaque o Sakpokàn e o Grá.
A iniciação no Jeje Mahi sempre contece com formação de “barcos” ou “ahamas”, pois pela tradição nunca se recolhe uma única pessoa e nem barcos com números pares de componentes, levando ao entendimento de que sempre que houver iniciação deve-se ter no mínimo três Vodunsis em processo, na roça. Em geral cada sacerdote ou sacerdotisa Jeje Mahi, durante seu comando, não recolhem muitos barcos; a quantidade controlável de filhos de santo é muito importante, pois há um ditado que diz “é melhor ter poucos filhos bons a muitos ruins”. Na Casa das Minas também não é diferente.
A iniciação da Vodunsi começa com a filha “bolando” (caindo) aos pés da arvore consagrada a seu Vodun (atinsá), e ali ela permanecerá desacordada durante sete dias e sete noites. Dizem que já houve casos de vodunsis consagradas a voduns aquáticos que ficaram esse período na água. A ordem das vodunsis no barco se dá pela ordem conforme elas vão ”bolando” nos atinsás, assim teremos:
  • A primeira será Dofona (o) ( Dòfònun)
  • A segunda será Dofonotinha (o) (Dòfònuntín)
  • A terceira será Fomo (Fòmò ou Yòmò)
  • A quarta será Fomotinha (o) (Fòmòtín)
  • A quinta será Gamo (Gàmò)
  • A sexta será Gamotinha (o) (Gàmòtín)
  • A sétima será Vimo (Vimun)
  • E ainda pode-se seguir vimotinho, dimu, dimutinho, etc.
Durante o tempo que a Vodunsi permanecer debaixo do atinsá de seu Vodun, será cuidada pelos Ogãs e Ekedjis. Neste período, a mãe de santo (ou pai) é proibida de ir ver a filha. Isso por que a(o) zeladora(o) pode sentir pena da Vodunsi e de certa forma pode querer ajudá-la, afim de aliviá-la de seu estado. Acabando os sete dias, a vodunsi ainda desfalecida será levada pelos ogans até o zelador, no Hundeme, para que este inicie a feitura. O momento em que a vodunsi acorda do desfalecimento é considerado como um renascimento, após passar pela morte ritual e acordar numa nova vida, agora como Vodunsi, um compromisso que deverá carregar consigo por toda sua vida. A partir daí a vodunsi passará por processos de limpezas, descarregos, banhos de ervas, ebós, e durante uma semana deverá descansar até o dia do Sakpokàn ou Sarakpokàn. O Sakpokàn é uma cerimônia que acontece sete dias após o inicio dos rituais de feitura, quartorze dias após o “bolar”, na qual a vodunsi dança manifestada com seu Vodun. A dança é desajeitada e desordenada. O Sakpokàn também representa a despedida da Vodunsi de seus familiares que forem assistir ao ritual, que só verão a vodunsi novamente meses depois, no “dia do nome”. No dia do Sakpokàn a Vodunsi será raspada e catulada. Das etapas de iniciação que a nova Vodunsi deve passar, a mais intrigante e misteriosa é o Grá.
O Grá
O Grá é uma divindade ou entidade violenta e agressiva que se manifesta na Vodunsi apenas na sua iniciação, durante três dias, e próximo ao “dia do nome”. O principal objetivo do Grá é matar o(a) zelador (a) que deverá permanecer escondido nos aposentos da casa durante os três dias em que o Grá estiver manifestado. O Grá é acompanhado pelos Ogans, Ekedis e algumas Vodunsis antigas que farão com que ele realize algumas penitências, fazendo-o cansar. Há um número certo de pessoas que poderão acompanhar o Grá que durante estes três dias ficará solto pelo pátio da roça comendo tudo que encontrar como folhas de árvores e frutos caídos, motivos estes que exigem que a roça seja grande e com bastante árvores. As pessoas que acompanham o Grá, assim como ele mesmo, carregam um porrete com o qual ele tenta agredir as pessoas e realiza sua penitência, que tem como objetivo levar todo mal e toda energia negativa da Vodunsi, e também o objetivo principal de cansar o Grá para que ele não cause tanto transtorno. Durante os dias de penitência, os acompanhantes entoam certas cantigas específicas. Após os três dias procurando o(a) zelador(a), o Grá tem o encontro tão esperado, que acontecerá no Agbasá (salão de dança). Ao som de paó e adahun, o Grá entra pela porta principal do Agbasá  e se deparara com o(a) zelador(a), que estará sentado(a) em uma cadeira esperando por ele, partindo pra cima do mesmo para matá-lo. Neste instante todo cuidado é pouco, pois o Grá pode ferir o(a) zelador(a). Quando o Grá adentra o Agbasá, os Ogans correm para tirar-lhe o porrete que ele luta para não entregar. É um momento de extase. Nesse instante os tambores tocam com mais força e o(a) zelador(a), então nervoso e sem poder sair da cadeira, entoa uma cantiga e a Vodunsi cai desfalecida no chão e logo em seguida é pega pelo Vodun. É um alivio total e o ritual do Grá chegou ao fim. A quem diga que o Grá é um Erê malvado, outros dizem que é o Exu do Vodun, outros ainda dizem que é o lado negativo do Vodun ou mesmo da própria Vodunsi, um lado animalesco e primitivo seu, que está no seu inconsciente, que manifestou-se em seu renascimento e que foi mandado embora para sempre. O Grá despeja pra fora toda raiva e o ódio da Vodunsi. Como se depois do Grá não houvesse mais ódio, raiva, rancor dentro da Vodunsi, somente o que é bom e benéfico. Significa que a Vodunsi nunca mais sentirá fome, nunca mais vai dormir no relento, nunca mais irá confrontar ou agredirá seu(a) zelador(a), fisicamente ou com palavras, pois o Grá levou isso com ele. O ritual do Grá envolve muitas simbologias e interpretações que pelas leis do Jeje não poderei citá-las aqui.
O Dia do Nome
O Dia do Nome é um dia muito especial, com cerimônia pública (Zandró) no Jeje Mahi. O Vodum manifestar-se-á em sua Vodunsi e vai dançar na sala. Antigamente, uma única pessoa era escolhida para tomar o nome particular (Hún ìn) do Vodun de todas no “barco”, sendo considerado(a) padrinho ou madrinha do “barco”. Hoje geralmente são escolhidos mais de uma pessoa para esta tarefa. Após este dia, a iniciante agora sim é uma Vodunsi.
As vodunsis sempre usam seus nomes religiosos, determinado por sua posição no barco e seu vodum, assim poderemos ter, por exemplo, Dofona Ongorensi (feita de Gbesén), Dofonotinha Sogbosi (feita de Sògbò), Fomo Togbosi (feita de Aziri Togbosi), Fomutinha Òsúnsi (feita de Osún), Gamo Lokosi (feita de Loko), e assim por diante. Se a Vodunsi atingir um grau sacerdotal apenas acrescentará a frente de seu nome, o cargo, desta forma: Mègitó Dofona Ongorensi, Doné Dofonotinha Sogbosi, Gaiaku Gamo Lokosi.